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TAM não pode vender passagens até 6ª feira

Ordem foi dada pela Anac após onda de atrasos causada por falta de comandantes

30 de novembro de 2010 | 0h 00
Ana Bizzotto, Bruno Tavares, Glauber Gonçalves, Marcelo Portela e Nataly Costa - O Estado de S.Paulo

Pelo terceiro dia consecutivo, passageiros da TAM enfrentaram transtornos nos aeroportos do País. O motivo, mais uma vez, foi a falta de tripulação, o que levou a companhia a cancelar e atrasar voos para diversos destinos. Na tentativa de estancar o problema, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou à empresa que suspenda a venda de passagens para todas as rotas domésticas com decolagem prevista até sexta-feira.

Queixas. Passageiros reclamam de atrasos no Aeroporto de Florianópolis - Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE
Queixas. Passageiros reclamam de atrasos no Aeroporto de Florianópolis

Ontem, inspetores da agência foram enviados para o centro de operações da TAM, em São Paulo, a fim de verificar se os números apresentados pela empresa condizem com a situação atual. A auditoria deve durar uma semana e, nesse período, a companhia fica impedida de agregar novos voos a sua malha.

Apesar de a punição imposta à TAM ter sido anunciada às 12h20, até as 16 horas era possível comprar bilhetes para os próximos dias. Segundo a Anac, o intervalo foi necessário para que a empresa adequasse seu sistema à restrição. Após esse horário, quem a acessava o site da TAM se deparava com aviso de bilhetes esgotados.

Embora a empresa tenha informado ontem que os índices de atrasos e cancelamentos começariam aos poucos a cair, a expectativa de autoridades do setor aéreo é de que a malha da TAM só volte ao normal a partir de quarta-feira. Segundo balanço da Infraero, de 0 hora às 22 horas de ontem, 127 dos 804 (15,8%) voos programados apresentavam atrasos superiores a 30 minutos. Ao todo, 133 voos (16,5%) haviam sido cancelados.

Em um dia normal, o porcentual de atrasos das empresas fica entre 10% e 12%. O de cancelamentos não passa de 5%.

Os aeroportos mais afetados foram Cumbica, em Guarulhos, Congonhas, na zona sul de São Paulo, e Santos Dumont (RJ).

Em nota, a TAM voltou a atribuir ao mau tempo a culpa pelos atrasos e cancelamentos "acima da média". Segundo a companhia, os problemas foram reflexo dos "remanejamentos na malha aérea" provocados pelas "fortes chuvas que atingiram a Região Sudeste" entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, que interromperam temporariamente as operações nos aeroportos de Congonhas, Cumbica, Viracopos, em Campinas, além do Santos Dumont e do Galeão, no Rio.

As informações contradizem as da Infraero - segundo a estatal, os únicos aeroportos fechados foram Congonhas e Guarulhos, na quinta e na sexta-feira. Nenhum deixou de operar no sábado ou no domingo. Ainda segundo a Infraero, Congonhas fechou na quinta, das 18h02 às 18h17, e novamente, das 21h12 às 21h35. Já Guarulhos fechou na sexta às 4h40, passou a operar por instrumentos às 5 horas, fechou às 6h42, e reabriu às 9h01. A TAM informou que os cancelamentos foram comunicados à Infraero, que é a responsável pela atualização dos voos nos telões dos aeroportos.

Comandantes. Fontes do setor afirmam que os transtornos foram provocados principalmente pela falta de comandantes. A TAM nega - informa que tem em seus quadros 8,3 mil tripulantes - 6.143 comissários e 2.207 comandantes e copilotos, número suficiente para atender a demanda. "A verdade é que tanto a TAM quanto as demais empresas estão operando no limite de suas capacidades", adverte o comandante Gelson Dagmar Fochesato, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas. "Os problemas meteorológicos interferem nas operações, mas o fato de operarem no limite faz com que uma coisa pequena tome grandes proporções.

Os aeroportos mais afetados foram Congonhas, Santos Dumont e Cumbica.

PARA LEMBRAR
Gol e Webjet já tiveram falta de tripulantes

Problemas de falta de tripulação como os enfrentados pela TAM atingiram este ano a Gol e a Webjet. Pela legislação, pilotos e comissários não podem trabalhar mais do que 85 horas no mês. Para não infringir a regra, as empresas optam por cancelar e atrasar voos.


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