Tática é que ministra tire o foco do dossiê
Em seu depoimento hoje no Senado, Dilma tentará cansar a oposição ao falar exaustivamente sobre o PAC
O governo aposta no depoimento de hoje da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Comissão de Infra-Estrutura do Senado para esvaziar a crise do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Por estar convencida de que o assunto está "quase encerrado", a base aliada tem uma estratégia bem definida: quer cansar a oposição com explicações detalhadas sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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A pedido da tropa de choque governista, a ministra fará uma exposição sobre o PAC recheada de recursos gráficos. Serão quase duas horas de apresentação sobre o plano. A oposição, porém, promete insistir nas perguntas para que ela explique a produção de um dossiê na Casa Civil com despesas sigilosas de Fernando Henrique, da ex-primeira-dama Ruth Cardoso e de ministros do governo tucano.
"Esse assunto (dossiê FHC) está quase encerrado. Se a ministra mantiver seu equilíbrio e se sair bem, a discussão sobre supostos dossiês fica sepultada de vez", avaliou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), vice-líder do bloco governista no Senado. "Essa é a chance para o governo virar a página e sair dessa agenda negativa." Blindagens governistas à parte, Dilma já avisou aos aliados que vai responder a todas as perguntas , mesmo as que provoquem desconforto por tratarem da produção do dossiê. A ministra dirá que a Polícia Federal e a própria Casa Civil têm investigações em andamento sobre o vazamento das informações.
A idéia é abrir a audiência com uma longa e detalhada exposição sobre todos os pontos do PAC e seu desenvolvimento desde o lançamento. "Esses números do PAC são muito importantes. Não podemos deixar a oposição no ar", afirmou, em tom irônico, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Depois, Dilma passará a responder às perguntas. E terá o apoio da tropa de choque governista. "Se houver abuso, tratamento desrespeitoso, ofensa pessoal ou ironia vamos reagir", avisou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti. "A sessão vai ser uma espécie de rodízio. Nós do governo faremos perguntas longas sobre o PAC e a ministra falará à vontade sobre o assunto. Em seguida, alguém da oposição perguntará sobre o dossiê e, logo depois, voltaremos com mais perguntas sobre o PAC", explicou Casagrande.
QUESTÃO DE HONRA
Os partidos de oposição estão divididos em relação à estratégia. Representantes do DEM e do PSDB conversaram ontem sobre o assunto ao longo do dia. Alguns admitem que as acusações a Dilma acabaram aumentando sua exposição política e facilitando seu caminho como pré-candidata à Presidência. Informalmente, senadores de oposição admitem que não têm grande interesse de acirrar um debate político com uma figura política poderosa, num período eleitoral.
Mas outros políticos acham que a cobrança de explicações é uma questão de honra. "Seria um vexame se não cobrássemos explicações", afirma o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "Acho que ela sofreu um desgaste real por conta desse problema e, se ela for candidata, o que não acredito, isso vai aparecer na campanha. Ninguém pretende derrubar um adversário com apenas um soco. Tudo é um processo de desgaste ao longo do tempo", disse Maia.
"Se acharem que ela foi bem na audiência, que a canonizem. Mas nós não vamos deixar de fazer nenhuma pergunta", concordou o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM). "Não queremos deixar que ela saia daqui sem que esclareça todos os pontos da montagem do dossiê."
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