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Todo cuidado é pouco para não ficar sem combustível

Com o fim do reabastecimento, é grande a possibilidade de pane seca

03 de março de 2010 | 0h 00
Livio Oricchio, ENVIADO ESPECIAL, BARCELONA - O Estadao de S.Paulo

Quem gosta de Fórmula 1 provavelmente já deve ter visto a forte imagem de Nigel Mansell, em 1984, empurrando a Lotus, no GP dos EUA, em Dallas, e, exausto, perder os sentidos. O inglês liderava a prova e ficou sem combustível metros antes da bandeirada. Pois cenas como essa, a chamada pane seca, podem voltar a acontecer este ano na Fórmula 1 com a proibição do reabastecimento durante as corridas. A diferença é que, agora, não é mais permitido empurrar o carro.

O alerta é de Rubens Barrichello, da Williams, o mais experiente piloto do Mundial, depois de 15 dias de ensaios da pré-temporada, encerrados domingo, em Barcelona. "Os testes mostraram que em alguns circuitos os pilotos não poderão exigir tudo do carro a fim de reduzir o consumo de gasolina para receber a bandeirada", afirma.

Nos treinos de Valência, Jerez de la Frontera e agora em Barcelona, as 11 equipes que colocaram seus carros na pista realizaram o mais elementar teste prático de consumo: mantiveram seus pilotos dando voltas até acabar o combustível. O objetivo era conhecer o consumo preciso, para aquela condição, e verificar até quanta gasolina no tanque o pescador (válvula que suga o combustível) ainda mantinha o motor em funcionamento. "A coisa está tão crítica que com apenas alguns gramas de gasolina no tanque o pescador ainda funciona", explica Rubinho.

"Em circuitos como o de Bahrein, do Canadá, Valência, Monza, Cingapura, há mesmo possibilidade de pane seca", comenta Steve Nielsen, diretor da Renault. "Hoje nossa capacidade de monitorar o carro na pista é muito maior de antes, por isso pode ser que os pilotos não fiquem sem gasolina."

Além do caso de Mansell, os aficionados chegaram a se revoltar com a perda de duas vitórias certas de Ayrton Senna, em 1985, nos GPs de San Marino e da Grã-Bretanha. Sua Lotus-Renault turbo apresentou pane seca no final, quando liderava as duas provas. Na temporada anterior, a FIA proibiu o reabastecimento e limitou o volume dos tanques a 220 litros. Hoje o volume é livre, mas para os projetistas um tanque grande compromete o desempenho, por isso trabalham no limite da necessidade de consumo.

A situação se tornou mais difícil em 1986, com a redução do volume do tanque para 195 litros. Naquele ano, Alain Prost fez muita gente se sensibilizar com o seu esforço para vencer o GP da Alemanha. Com McLaren-Porsche, o francês ficou sem gasolina a poucos metros da linha de chegada quando era líder. Prost empurrou o carro e recebeu a bandeirada em sexto. "O piloto, agora, tem mais meios de intervir para diminuir o consumo de gasolina", diz Rubinho, que em 1993, em Donington, na sua terceira prova na F-1, encostou a Jordan-Hart sem combustível, no final, perdendo o provável 3º lugar.