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Toyota agora estuda anunciar recall do Corolla

Falha na direção hidráulica pode motivar nova chamada para reparos de cerca de 1 milhão de carros

18 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Associated Press, Tóquio - O Estadao de S.Paulo

A Toyota estuda a possibilidade de fazer recall do Corolla, o modelo mais vendido do mundo, depois de queixas sobre o sistema de direção hidráulica. Se confirmado o defeito, será mais um golpe para a maior montadora mundial, que já chamou para reparos 8,5 milhões de veículos em todo o mundo nos últimos quatro meses por questões de segurança.

O executivo encarregado dos controles de qualidade, Shinichi Sasaki, afirmou que a Toyota põe os consumidores em primeiro lugar, num renovado esforço para salvar sua reputação, e fará tudo o que for necessário para sanar o problema. Segundo o executivo, ainda não se sabe se será necessário um recall, mas a possibilidade não está descartada.

Ele não revelou o ano do modelo nem as regiões que poderiam ser afetadas. A Toyota vendeu cerca de 1,3 milhão de modelos Corolla no mundo no ano passado. A companhia recebeu ao menos 100 queixas.

Os motoristas têm a sensação de perder o controle da direção, mas o motivo é desconhecido, disse Sasaki. Ele se referiu a problemas no sistema de freios ou nos pneus como possíveis razões. Koji Endo, diretor-gerente da Advanced Research Japan, disse que, se os problemas do Corolla chegarem a ponto de exigirem um recall, será um golpe muito profundo para a companhia. "Se a Toyota tiver de fazer recall do Corolla, não me surpreenderia se fossem chamados de volta mais de um milhão de unidades. Será mais um enorme efeito negativo."

ESTADOS UNIDOS

Autoridades federais de segurança nos EUA informaram que também examinam as queixas de proprietários de carros Corolla. A irretocável fama de qualidade da Toyota foi afetada profundamente nos EUA, onde as vendas despencaram. No mês passado, pela primeira vez desde fevereiro de 1998, suas vendas mensais nos EUA caíram abaixo das 100 mil unidades, segundo a Ward"s AutoInfoBank.

Apesar das pressões de alguns parlamentares americanos, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, disse que não atenderá à convocação do Congresso dos Estados Unidos para uma audiência na qual deveria explicar as falhas da qualidade da montadora. A missão será confiada a executivos da Toyota nos EUA. Mas disse que poderá comparecer se o comitê o exigir.

"Confio em que os nossos funcionários nos EUA responderão amplamente às perguntas que serão feitas", afirmou Toyoda ontem, em sua terceira coletiva à imprensa em duas semanas. "Estamos enviando para a audiência os nossos melhores representantes e espero respaldar todos os esforços em nossa sede." Toyoda disse que pretende ir dentro em breve aos EUA e que as datas ainda não foram fixadas. "Não estamos escondendo nada, e nem fugindo de coisa alguma", frisou.

Toyoda acrescentou que pretende se concentrar na melhoria da qualidade dos seus produtos em todo o mundo. Ele prometeu instalar em todos os futuros modelos um sistema que anula o efeito da aceleração e aumenta a segurança na ocorrência dos problemas que motivaram os maciços recalls dos últimos tempos. Trata-se de um mecanismo que bloqueia o acelerador quando o pedal deste e do freio são pressionados ao mesmo tempo.

O Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Estados Unidos fará uma audiência no dia 24 de fevereiro. O Comitê de Energia e Comércio da Câmara marcou audiência para o dia seguinte. E o Comitê do Comércio, Ciência e Transportes do Senado agendou outra audiência para o dia 2 de março. TRADUÇÃO DE ANNA MARIA CAPOVILLA