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Tradicionais no centro, 84 bancas vão mudar ponto

Por razão de segurança, Prefeitura já notificou parte dos jornaleiros a indicar três pontos para transferência

28 de novembro de 2009 | 0h 00
Ana Bizzotto - O Estadao de S.Paulo

Quem circula pelo centro de São Paulo geralmente passa pelas bancas de jornal para dar uma olhada ou pedir informação. Há décadas nos mesmos pontos, os jornaleiros temem a transferência determinada no início deste mês pela Prefeitura. Oitenta e quatro bancas foram ou serão notificadas pela Subprefeitura da Sé a indicar três locais para a transferência, "por razões de segurança". A subprefeitura ainda não indicou quais locais estariam disponíveis.

"Estão me deixando órfão", lamenta o jornaleiro mais antigo da cidade, Arnaldo Mônaco, de 82 anos. Dono da banca que leva seu nome há mais de cinco décadas, ele começou a vender jornais aos 7 anos. "Naquela época quase não existia assinatura de jornal. Eu entregava na porta do freguês", lembra.

Suas vendas na rua e nos bondes foram transferidas para o endereço fixo da Praça da Sé em 1954, quando o então prefeito Jânio Quadros determinou que os jornaleiros que estavam há cinco anos no ramo poderiam pedir a concessão de pontos.

Das 550 bancas regulares do centro, cerca de 80% existem no mesmo ponto há mais de 20 anos, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas, Ricardo Carmo. Em nota, as Secretarias de Coordenação das Subprefeituras e da Segurança Pública alegam que o objetivo da mudança de localização é "evitar pontos-cegos para os guardas-civis e policiais e melhorar as condições de movimentação dos pedestres". "As bancas são um apoio para a segurança da comunidade. Não houve estudo técnico para avaliar quais realmente prejudicam a visibilidade", afirma Carmo. A comissão de jornaleiros criada para discutir a notificação deve se reunir novamente com a Prefeitura na semana que vem. "Na primeira reunião, o subprefeito garantiu que ninguém seria prejudicado", explica Rafael Silva, integrante da comissão e dono da banca Aurélio.

Herdeiro da banca que leva o sobrenome da família há mais de 40 anos, Heitor Pato está preocupado. "A banca é minha vida. Fui criado e crio minhas filhas com ela. Se formos para algum bairro o faturamento vai cair muito", diz Pato, que começou a ajudar o pai aos 13 anos.

Frequentador das bancas da Praça da Sé há mais de 50 anos, o corretor de imóveis Paulo Vilarinho, de 67, achou a notificação "absurda". "As bancas de revista fazem parte da cultura da praça, sem elas não é a mesma coisa", afirma. Para o professor Issao Minami, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), a mudança pode ser benéfica. "As bancas precisam passar por um processo mais contemporâneo de ocupação. Grande parte dos equipamentos de mobiliário urbano está em conflito visual. É urgente a remodelação."