Traficante aparece em lista da ''Forbes''
Inclusão de ?El Chapo? no ranking das maiores fortunas irrita México
A inclusão do mais procurado narcotraficante mexicano na lista das pessoas mais ricas do mundo da revista americana Forbes irritou ontem o governo mexicano.
Joaquín Guzmán, o chefão do poderoso Cartel de Sinaloa, aparece no 701º lugar do ranking da revista, com uma fortuna estimada em US$ 1 bilhão.
"Agora até as revistas não só se dedicam a atacar, a mentir sobre a situação no México, mas também a exaltar criminosos, no que aqui consideramos um crime: a apologia à criminalidade", queixou-se o presidente mexicano, Felipe Calderón.
Em resposta, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood, negou que houvesse uma campanha contra o governo mexicano. "Temos preocupações com a violência na fronteira. Mas o governo do México já está tomando medidas para deter essa violência", disse Wood.
O governo americano oferece uma recompensa de US$ 5 milhões pela captura de Guzmán, também conhecido como El Chapo ("O Baixinho"). Ele está foragido desde 2001, quando escapou de uma prisão de segurança máxima escondido num carrinho de lavanderia, dias antes de ser extraditado para os EUA.
"Em 2008, traficantes mexicanos e colombianos ?lavaram? entre US$ 18 bilhões e US$ 39 bilhões, obtidos em carregamentos (de droga) enviados para os EUA", diz a Forbes. "Acredita-se que tenham passado pelas mãos de El Chapo algo entre um terço e a metade dessa quantia nos últimos oito anos."
Guzmán não é o primeiro narcotraficante a ser incluído na lista da Forbes. Em 1989, o colombiano Pablo Escobar foi apontado como o 7º homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 25 bilhões.
GUERRA ÀS DROGAS
No ano passado, o número de mortos no México em conflitos entre narcotraficantes e tiroteios com a polícia foi de 5.400, o dobro do registrado em 2007. O aumento da violência relacionada aos cartéis da droga alimentou nos EUA o medo do contágio.
Em fevereiro, o governo americano anunciou que 755 pessoas foram presas e mais de 20 toneladas de drogas, apreendidas em 21 meses, numa operação para frear as operações do Cartel de Sinaloa em seu território.
Pouco antes, um relatório do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA havia defendido que, por causa do tráfico, o México deveria ser monitorado juntamente com o Paquistão - qualificando os dois países de "Estados falidos e à beira do colapso". O relatório irritou Calderón.
Ao assumir o poder, em 2006, o presidente mexicano pôs em marcha um ambicioso projeto de combate ao narcotráfico enviando 45 mil homens para Estados onde a situação é crítica. Segundo sua versão, a violência é o efeito colateral dessa ação contra os cartéis.
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