UE tenta responder à emergência dos Brics
Europa reconhece no bloco uma nova realidade internacional e traça estratégia para tentar não ser marginalizada
Temendo a perda de espaço comercial e político no mundo, a UE estabelece uma nova política externa para responder à emergência dos Brics (Brasil, Rússia, India, China e África do Sul), reconhece o bloco como uma nova realidade internacional e coloca como prioridade a criação de uma estratégia para tentar não ser marginalizada.
"A expansão econômica desses países gerou uma expansão da autoconfiança, das ambições e da dimensão política desse grupo", afirmou Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia, em uma audiência ontem no Parlamento Europeu.
Ashton indicou que seu serviço acaba de criar uma coordenação diplomática justamente para responder a setores em que os Brics estejam já agindo como um bloco. " Vamos coordenar nossas posições e responder a essa união (de emergentes)", declarou, citando as áreas de meio ambiente, finanças internacionais e comércio como principais alvos.
A UE também vai reforçar suas políticas individuais para cada um dos cinco países dos Brics, já que as economias emergentes são diferentes em vários aspectos e com interesses na Europa que divergem. "Está claro que precisamos fortalecer nossas relações com cada um desses países. Isso será o mais fundamental", disse, apontando para uma série de iniciativas bilaterais que começarão a entrar em vigor para não perder espaço.
Os dados da queda da influência europeia são explícitos. No Brasil, há dez anos, a Europa fornecia 31% de tudo o que o País importava. Hoje, sem um acordo comercial e enfrentando séria concorrência, representa apenas 20%. O mesmo fenômeno foi registrado com a Índia. No caso da China, europeus perdem contratos em licitações públicas na África, enquanto no FMI são os votos europeus que dão espaço para um maior poder de Pequim. Moscou, diante das diferenças com os europeus, já iniciou obras de dutos para redirecionar suas exportações de gás em parte para a Ásia.
Para o eurodeputado que lançou a iniciativa do debate, Jacek Wolski, "os Brics existem e não adianta mais esconder a cabeça. Isso não vai funcionar". "Em 2050, esse grupo será imensamente maior que a Europa em termos econômicos e temos de nos preparar para isso", alertou.
"Os Brics são um grande desafio para a UE", disse a eurodeputada Ana Gomes. "Precisamos fazer uma aliança para ter uma nova governança global", defendeu. / J.C.
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