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Um blues com toque francês e clima zen

Violonista combina universo sonoro típico do Mississipi com lições de autores da vanguarda europeia

13 de maio de 2013 | 2h 07
JOÃO MARCOS COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO - O Estado de S.Paulo

É possível combinar em doses refinadas o universo do blues com a música espectral francesa de Gerard Grisey? Se fosse música brasileira, seria como botar Yamandú Costa no liquidificador com o compositor eletroacústico Flo Menezes. E não é que deu certo?

O autor da façanha é o violonista e compositor norte-americano Alex Lubet, de 58 anos. Ele especializou-se, como criador e intérprete, no violão com cordas de aço, típico dos blueseiros do Delta do Mississipi. Diz que as cordas de aço lhe permitem maior variedade de cor. Aliás, faz da exploração dos harmônicos e dos sons e seus halos - uma postura próxima dos espectralistas - uma de suas grandes características.

Por isso, o título de seu CD recém-lançado é Spectral Blues. Mas ele alerta: "Ao contrário dos compositores espectralistas europeus, que usam a análise de complexas estruturas dos harmônicos como base de seu trabalho, eu toco estas estruturas no violão, acessando-as por meio da combinação de duas técnicas incomuns: toco muitos harmônicos naturais, alguns mais de cinco oitavas acima das cordas soltas. Cada harmônico natural tem uma cor, um timbre sutilmente diferente. Também toco multifônicos, acordes em cordas simples. Estas peças incluem acordes de até 20 notas".

Duas suítes compõem o CD. Na primeira, Relicário de Danças, misturam-se escalas do blue e asiáticas, além dos recursos expandidos típicos da música contemporânea.E em Eight Ouds, ou "Oito Uds", Lubet remete ao ud, versão do alaúde no norte da África e no Oriente Médio. Existem várias explicações para esta abreviação da palavra alaúde. Uma delas é que ud é a versão árabe da palavra persa rud, que quer dizer corda ou instrumento de corda. "São estudos, cada um deles enfrenta um desafio técnico. Daí o plural uds", explica Lubet. Estilisticamente, eles são um tributo ao blues. Tecnicamente, são assim descritos: "O Estudo 1 é construído num só acorde típico do imortal blueseiro John Lee Hooker; do segundo ao sétimo, todos baseiam-se na familiar sequência harmônica do blues de 12 compassos, variando de um a três chorus. O Estudo 8 finca-se mais nas referências ao universo do ud".É uma música estática, que pesquisa o som, explora hedonisticamente seus halos a partir dos harmônicos e ao mesmo tempo evoca o universo do blues. Um híbrido que acaba transformando o clima encantatório do blues num clima zen inesperado.




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