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15 de Abril de 2010

 

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''Um cidadão não educado atrapalha a sociedade''

Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

09 de setembro de 2010 | 0h 00
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

A pequena queda no número de analfabetos e a estagnação da taxa de escolaridade não são problemas apenas da educação brasileira, mas sim de todas as políticas públicas do País, explica Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, organização da sociedade civil que defende os direitos educacionais.

Podemos comemorar os números da Pnad?

Não. A queda na taxa de analfabetismo, de 0,3% (acima dos 10 anos), e o aumento da escolaridade (entre 6 e 14 anos), de 0,1%, são muito pequenos. No caso do analfabetismo, o Brasil está 10 anos atrasado - a erradicação estava prevista para a década seguinte à Constituição de 1988. Caminhamos lentamente.

Quais são os maiores entraves para erradicá-lo?

O Brasil precisa ter consciência de que os "remédios" usados até agora não surtiram efeito. Os investimentos em alfabetização do Ministério da Educação estão sempre aquém de outros programas. Precisamos também de novos arranjos pedagógicos. Os que existem não seguram o adulto analfabeto na escola, porque depois de uma vida inteira fora dela, fica difícil para ele se identificar com esse ambiente. O maior problema é que a educação não faz sentido na vida dessas pessoas.

E como desenvolver nelas o interesse pela educação?

A sociedade brasileira não vê a educação como um bem. Isso se dá somente no âmbito pessoal e familiar. Quando analisamos o todo, percebemos que aqui não se valoriza a educação. No caso dos analfabetos, temos de fazer com que eles percam a vergonha de uma culpa que não é deles, mas sim de um problema estrutural de governo que se arrasta há décadas. E isso se dá no ambiente comunitário, incentivando a autoestima deles. Um cidadão não educado atrapalha a sociedade.

Como podemos avançar nas taxas de escolarização?

Quem está fora da escola são, basicamente, crianças com deficiência. A solução não passa apenas pela educação, mas sim

por áreas como saúde e assistência social. E também pela maior transferência de recursos da União para os municípios - são eles quem vão identificar e cuidar dessas crianças.

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