Um em cada 4 sul-africanos já cometeu estupro
Muitos admitem que violentaram mais de uma vez, revela pesquisa
Na África do Sul, um em cada quatro homens admitiu ter cometido estupro e muitos confessaram ter violentado mais de uma vítima, segundo um estudo sobre a cultura endêmica de violência sexual do país.
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Três em cada quatro sul-africanos estupraram pela primeira vez ainda adolescentes. Um em cada 20 declarou ter violentado uma mulher ou uma garota no ano passado. A África do Sul tem um dos mais altos índices de estupros do mundo. E apenas uma fração dessas agressões é denunciada ou resulta numa condenação.
No estudo sobre estupro e aids, realizado pelo Conselho de Pesquisa Médica, os entrevistados responderam sob condição de anonimato, o que parece ter ajudado para que algumas respostas fossem excepcionalmente francas.
A professora Rachel Jewkes, que conduziu a pesquisa, acredita que o altíssimo índice de estupros no país "se deve aos conceitos de masculinidade com base na hierarquia do sexo e no direito sexual dos homens e é algo que está enraizado num ideal africano de virilidade".
Dos 1.738 interrogados, 28% responderam ter violentado uma mulher ou uma menina, e 3% disseram ter estuprado um homem ou um menino. Quase a metade daqueles que confessaram o estupro admitiu que o cometeram mais de uma vez, e 73% afirmaram que a primeira vez que violentaram uma pessoa foi antes dos 20 anos.
O estudo concluiu ainda que homens fisicamente violentos em relação às mulheres têm duas vezes mais probabilidade de ser portadores de aids. E são eles que costumam pagar por sexo e não usar preservativos. Qualquer mulher violentada por um homem com mais de 25 anos corre 25% de risco de que o agressor tenha aids.
O governo sul-africano é constantemente criticado por não tentar resolver o problema. Apenas 7% dos estupros denunciados à policia resultaram numa condenação do agressor.
Antes de ser eleito presidente, Jacob Zuma foi julgado por estuprar uma amiga. Seus partidários protestaram diante do tribunal, atacando sua acusadora e gritando: "queime a prostituta." Ele foi absolvido.
Zuma, que é polígamo, foi criticado pela ênfase que deu à sua identidade tribal zulu e por fazer comentários que escandalizaram ativistas antiaids e contra a discriminação sexual.
Segundo Dean Peacock, diretor do projeto Sonke Gender Justice, a África do Sul vive um momento complicado, com o renascer do tradicionalismo. "Ouvimos homens dizendo ?se Zuma pode ter muitas mulheres, eu também posso ter muitas companheiras?. A retórica machista de Zuma provocará um retrocesso em nosso trabalho de contestar o velho modelo de masculinidade."
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