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Um título que vale a imortalidade

Vencer a Libertadores significa entrar para a história de um clube, mas a conquista exige mais do que técnica

07 de fevereiro de 2012 | 3h 09
Daniel Akstein Batista e Gonçalo Júnior - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - "Não tive medo de jogar, isto nunca, mas de morrer mesmo." É assim que o ex-zagueiro Hugo de León, símbolo definitivo de garra e jogo duro na história gremista, narra o clima da partida contra o Estudiantes, pela Libertadores de 1983. Com cores menos berrantes, o tornozelo inchado de Neymar após o título do ano passado ou a pancadaria de Grêmio e Palmeiras, em 1995, atualizam o discurso do antigo defensor.

Em 2012, os personagens da 53ª edição do principal torneio de clubes da América do Sul vão escrever novos relatos de sobrevivência. Marcada não só pela técnica dos craques, a Libertadores é jogada com o exagero de Nelson Rodrigues: é hora de amarrar as chuteiras com as próprias veias.

Os brasileiros têm músculos - e inteligência - para continuar a hegemonia dos últimos anos: presença em todas as finais desde 2005, com quatro títulos. O Santos de Neymar e Ganso busca o tetra com a mesma formação que envergou o Peñarol em 2011. Depois de sobreviver à fase eliminatória, o Internacional inaugura, com pompa e circunstância, o seu ataque "3D": Dagoberto, D'Alessandro e Damião; já o Flamengo promete ir longe com Ronaldinho Gaúcho e Love. O Corinthians traz a base do time campeão brasileiro para apagar o fiasco de 2011.

Do outro lado do ringue, o Boca Juniors, dono de seis conquistas e algoz do Palmeiras, Corinthians, Vasco, Flamengo e Santos, traz de volta sua mística após dois anos de ausência.

Flor de obsessão de todos os clubes, a Libertadores garante prestígio e uma boa compensação financeira. O campeão de 2012 ganhará cerca de R$ 6 milhões pelo título, mais R$ 8,8 milhões pela participação no Mundial de Clubes. Com isso, o prêmio chega a quase R$ 15 milhões. Isso dá quase o dobro da premiação do último Campeonato Brasileiro, que rendeu R$ 8 milhões ao Corinthians. Vencer a Libertadores significa, a grosso modo, contratar um Jadson (R$ 9 milhões) e meio Vágner Love (R$ 10 milhões).

Essas cifras milionárias vêm, em grande parte, dos direitos de transmissão pela TV. Neste ano, a disputa nos estúdios ficou tão acirrada como nos estádios. Dona dos direitos de transmissão do torneio e presente em 19 países, a Fox Sports entrou de sola e prometeu transmitir as partidas com exclusividade na TV paga. Com a Libertadores, pretende marcar território. Arena de batalhas, futebolísticas ou comerciais, individuais ou coletivas, a Libertadores é muito mais que um torneio de futebol.

OS NÚMEROS DA COMPETIÇÃO
R$ 15 milhões
é a premiação para o campeão. É quase o dobro do ganhou o Corinthians com o título brasileiro de 2011.

32 times se divem em oito grupos de quatro. Os dois primeiros colocados de cada chave se classificam para as oitavas de final. A partir desta etapa começa o sistema de mata-mata.

23 jogadores brasileiros já foram artilheiros da Libertadores. Em 2000, o então corintiano Luizão marcou 15 gols.

17 gols marcou Daniel Onega, do River Plate, em 1966. Ele é o artilheiro máximo em uma única edição de Libertadores.  


Tópicos: Copa Libertadores

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