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Uma família da pesada

Entre conflitos e humor, Álbum de Família', dirigido por John Wells, toca em tema universal

01 de janeiro de 2014 | 2h 04
Pedro Caiado/ Londres - Especial para O Estado de S.Paulo
Personagens disfuncionais trocam insultos - Divulgação
Divulgação
Personagens disfuncionais trocam insultos
Mais conhecido pela direção de séries de TV como ER - Plantão Médico e The West Wing, John Wells, produtor e diretor americano de 54 anos, é uma das principais figuras por trás da televisão americana moderna. Com Álbum de Família, seu segundo longa ele encarou o desafio de transportar o dramalhão da peça August: Osage County, de Tracy Letts, sucesso na Broadway, em um filme com Meryl Streep, Julia Roberts e grande elenco.

"Eu assisti à peça algumas vezes, mas nunca imaginei que fosse dirigir uma adaptação para um filme", disse ele, que trabalhou na elaboração do roteiro por 18 meses antes de finalmente filmá-lo. "O trabalho de teatro é focado nas palavras. Conversei bastante com Tracy Letts sobre a diferença das expressões dos atores na peça, que estão distantes do público, e como estas seriam no filme", lembrou o americano em conversa com o Estado em um quarto de hotel no Soho, em Londres.

Em uma época em que os dramas de qualidade foram para a televisão e o principal da ação foi parar no cinema, em grandes blockbusters, levar um drama com orçamento de US$20 milhões para a telona é um luxo raro. "É parte da pressão que os estúdios têm no mercado internacional no momento. O pensamento hoje em dia é fazer filmes com apelo às grandes audiências, mas que distanciam de trabalhos que se focam nos personagens, como este", explicou. "Você pode fazer dez filmes do Alexander Payne (Sideways - Entre Umas e Outras) pelo custo de um único O Cavaleiro Solitário", alfinetou Wells. "Os irmãos Weinstein estão preocupados em realizar filmes como este, enquanto os grandes estúdios fazem esse gênero, talvez uma vez por ano", afirmou o americano. "Os irmãos Weinstein mantiveram esse gênero vivo em momentos de crise há cinco e seis anos e continuam", afirmou o diretor sobre os fundadores da Weinstein Company, que recentemente se reuniram à empresa que fundaram em 1979, Miramax - responsável por lançar títulos independentes.

Álbum de Família conta a história hilariante, porém sombria, da família Weston: disfuncional por natureza e em crise. O mistério do sumiço do marido de Violet (Meryl Streep), que desaparece sem deixar rastro, é o principal motivo da reunião das três filhas, incluindo a mais velha, Barbara (Julia Roberts), que retornam à casa da mãe para saber o que aconteceu de fato com seu pai e dar conforto à problemática mãe que as criou.

A mãe vivida por Meryl Streep é viciada em pílulas, emocionalmente comprometida e amarga. "Meryl criou o personagem muito por conta própria. Antes das filmagens, nós conversávamos muito sobre as personagens e as cenas", ressaltou John Wells. "Ela é uma atriz muito profissional e dedicada. Ela se prepara por meses antes das filmagens, o que é excelente para um diretor, pois ela já vem pronta e em completo controle", afirmou.

Além de Meryl Streep, Álbum de Família traz um grande elenco, algo que pode ser complicador para diretores. "Foi ótimo, mas para um diretor nunca é bom ter dez pessoas na mesma cena. Para a do jantar (21 minutos no filme), foram três dias e meio para filmar. Mas os atores estavam superpreparados. Eu não queria que eles se preocupassem com continuidade, mas que agissem naturalmente. Não tive que filmar nada mais que três vezes", disse, afirmando que queria os atores completamente entregues à cena.

Álbum de Família surpreende pelos diálogos pesados, principalmente entre as personagens de Meryl Streep e Julia Roberts. "Mas está tudo na peça. Eu perguntei a razão desse linguajar ao Tracy e ele me explicou que é algo muito comum em Oklahoma, pois são pessoas bem difíceis e duras. E há muita insatisfação em relação à quantidade de palavrões usados também. Mas é engraçado."

O longa põe em foco uma família disfuncional e Wells garantiu que este é o motivo que fará o público se identificar.

"Um filme como este faz com que a gente se sinta melhor em relação às nossas famílias. Há algo de universal nessa história. Quando assisti à peça na Broadway, lembro de ter ficado emocionado, pois há elementos que são tocantes para todos nós: a maneira como as irmãs competem pelo amor dos pais e pela aprovação deles, por exemplo", disse. "Sabe aqueles momentos em que os pais confessam, anos depois, meio sem querer, sobre algo que nunca mencionaram quando éramos crianças? Eu lembro que minha tia admitiu há alguns anos que nosso tio foi preso depois de atropelar uma menina, quando estava bêbado ao volante. Foi algo que veio do nada e ela pensou que eu sabia. São essas surpresas que todos nós experimentamos em algum momento", recordou ele, admitindo semelhanças da história do filme com a de sua família.

"Quando estávamos testando o filme em exibição nos festivais de cinema, muitas pessoas me confessaram que seus pais eram até piores que os do filme", reforçou. "Tracy Letts escreveu uma história meio autobiográfica. O avô dele se afogou e sua avó se tornou viciada em pílulas. Depois de ver o longa, ele me disse que eu fui até muito gentil com a representação da mãe dele", comentou o diretor, indicando que a original seria ainda pior.




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