UNE pagou por pesquisa a empresa de segurança
MG já fora usada pela entidade para suposta fraude em outro convênio
A União Nacional dos Estudantes (UNE) transferiu recursos públicos destinados à pesquisa sobre a história estudantil para a mesma empresa de segurança de Salvador usada para fraudar um orçamento de outro convênio da entidade estudantil com o governo federal.
No dia 19 de dezembro do ano passado, a UNE repassou R$ 7,8 mil para a conta da MG Portaria e Limpeza, que tem como endereço uma sala em um pequeno sobrado na região da Baixa dos Sapateiros, na capital baiana. O dinheiro saiu da conta do convênio do projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado entre a entidade e o Ministério da Cultura em 2008.
Em junho do ano passado, a UNE recebeu R$ 435 mil para realizar o projeto, que propunha escrever um livro e produzir um documentário sobre a militância estudantil secundarista. Ontem, o Estado revelou que, apesar de o convênio ter terminado em junho, o livro e o documentário não foram feitos e nenhuma prestação de contas chegou ao ministério.
No sábado pela manhã, o presidente da UNE, Augusto Chagas, mostrou à reportagem uma pasta com notas fiscais e recibos de transferência bancárias que seriam desse projeto. No item "pesquisadores", aparece o documento de transferência do Banco do Brasil, no valor de R$ 7,8 mil, para a MG Portaria e Limpeza, a mesma empresa usada pela UNE para aprovar um orçamento de R$ 342 mil de patrocínio do governo ao Congresso Nacional realizado em julho, em Brasília.
Diante do pedido do Ministério da Cultura para que os valores fossem justificados, a UNE apresentou um orçamento de duas empresas de segurança de Salvador. A MG - que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários - apresentou um orçamento de R$ 32 mil com 280 seguranças para o trabalho em Brasília. A outra empresa, Patorg Segurança, é fantasma.
Na documentação apresentada ao Estado consta ainda que o dinheiro do projeto Sempre Jovem e Sexagenária serviu para pagar passagens aéreas de dirigentes da UNE entre as capitais brasileiras. Dos R$ 435 mil repassados pelo patrocínio, R$ 35 mil deveriam ser usados para imprimir 10 mil livros e R$ 35 mil com cachê de uma banda para divulgar a obra.
Cobrada desde outubro a prestar contas do evento de julho, a entidade só enviou um relatório de atividades em que exalta a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no congresso. Augusto Chagas nega qualquer irregularidade e diz que a UNE tem dificuldades administrativas para concluir a prestação de contas.
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