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Usina Albertina para de funcionar e demite 600 pessoas

Em recuperação judicial desde 2008, empresa enfrenta um impasse jurídico que dificulta a venda de ativos

07 de fevereiro de 2012 | 3h 08
GUSTAVO PORTO / RIBEIRÃO PRETO - O Estado de S.Paulo

A Companhia Albertina anunciou ontem o encerramento das operações industriais e a demissão de 600 funcionários da sua usina de açúcar e etanol em Sertãozinho (SP). Entre as justificativas para a decisão, a empresa, em recuperação judicial desde 2008, culpou o impasse jurídico criado pelo Grupo Cosan. Credor da Albertina, o gigante do setor sucroalcooleiro votou contra a decisão de venda dos ativos agrícolas para a LDC-SEV Bioenergia, por R$ 180 milhões, no final de 2011, e recorreu da decisão da Justiça de homologar o acordo.

"A Cosan recorreu e deve ir para as instâncias jurídicas superiores, enquanto 94% dos outros credores concordaram na assembleia. Esse credor traz um nível de incerteza jurídica que prejudica a negociação do parque industrial", disse Marcelo Milliet, gestor da Albertina. "O impasse com o credor afastou as conversas iniciadas e enquanto não houver definição clara não tem jeito de negociar esses ativos industriais", completou.

Procurado, a Cosan informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não iria se pronunciar sobre o impasse. A posição do grupo tem sido a de esperar uma decisão final da Justiça para se manifestar.

Segundo Milliet, apenas 20 funcionários foram mantidos na empresa, 14 deles seguranças para o parque industrial. A Albertina mantém a usina, capaz de processar 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra, um armazém para a estocagem de 2,2 milhões de sacas de açúcar e tanques de álcool capazes de guardar 30 milhões de litros do combustível. "A Albertina seguirá apenas com algumas operações agrícolas remanescentes na região de Presidente Prudente (SP)", explicou.

Salários. Milliet afirmou que os sindicatos das categorias demitidas já foram informados da decisão, que todos os salários estão em dia e que todas as homologações serão pagas. "Acreditamos que por ser um momento próximo ao início da safra (2012/2013) de cana-de-açúcar, a absorção dos funcionários (por outras empresas) será facilitada", explicou.

O executivo comunicou ainda que as operações agrícolas da Albertina e as parcerias com produtores de cana da região de Ribeirão Preto (SP) já foram assumidas pela LDC-SEV Bioenergia. A operação prevê o pagamento inicial de R$ 20 milhões, valor utilizado para a quitação de dívidas com funcionários restantes, os demitidos e os credores fora da recuperação judicial. Os R$ 160 milhões restantes, valor relativo à aquisição dos ativos agrícolas, serão pagos aos credores da recuperação judicial em 12 anos.

Indagado se a operação com a LDC-SEV Bionergia não estaria ameaçada por uma futura decisão judicial favorável ao Grupo Cosan, Milliet concluiu: "Se ganharem, não sei o que pode acontecer; mas o contrato da LDC está implementado com base em decisão judicial, que no momento é favorável à empresa".

Concordata. A Companhia Albertina foi a primeira empresa do setor sucroalcooleiro a sucumbir às crises de preços e de liquidez que se seguiram à quebra do banco americano Lehman Brothers. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em novembro de 2008.

Na safra anterior, a empresa havia processado 1,511 milhão de toneladas de cana, produzindo 148,56 mil toneladas de açúcar e 33,77 milhões de litros de álcool, segundo dados da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica).

O plano de recuperação judicial da empresa foi aprovado pelos credores em maio de 2009, mas a principal forma de pagamento das dívidas, o leilão da usina, acabou indo parar na Justiça, o que inviabilizou a continuidade da operação.


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