Vantagem dos italianos e da Red Bull é maior do que se esperava
Análise:
As primeiras respostas às muitas perguntas deixadas no ar na pré-temporada começaram a ser respondidas sábado, na classificação do GP de Bahrein. E todos concordaram que Red Bull e Ferrari são, hoje, as equipes mais rápidas na Fórmula 1. McLaren e Mercedes iniciaram atrás. A corrida, ontem, mostrou que nesse confronto a distância das duas para Red Bull e Ferrari é maior do que os treinos de fevereiro sugeriam.
Dentre as duas mais eficientes, velocidade por velocidade, a Red Bull está na frente. Mas para vencer as corridas é necessário ser rápido e regular, dispor de um carro confiável, e nesse quesito a Ferrari está na frente. Foi outra lição que o GP de Bahrein deixou. Ainda que nesse caso os ensaios de fevereiro nas pistas de Jerez de la Frontera e Barcelona haviam repassado a informação de que a Red Bull não tem, ainda, um modelo dos mais resistentes.
Será assim até o final do ano? Não. McLaren e Mercedes já têm o diagnóstico preciso do quanto necessitam evoluir. Apesar da proibição de treinar, todas as equipes têm programas de desenvolvimento, umas mais, outras menos. Já para a etapa de Barcelona, a quinta do ano, dia 9 de maio, esses times mais bem estruturados vão apresentar quase uma nova versão de seus carros.
Certamente McLaren e Mercedes vão incorporar ainda mais modificações que Red Bull e Ferrari. A partir do GP da Espanha ficará mais claro o rumo do Mundial. O de Bahrein não é definitivo, em especial porque os projetos de McLaren e Mercedes não demonstraram apresentar nenhum problema crônico.
Michael Schumacher já compreendeu que terá mais dificuldades que as imaginadas antes de decidir voltar à Fórmula 1. Chegou num momento em que há uma geração de grandes talentos, várias equipes em condições melhores que a sua, diferentemente de quando pilotava para a Ferrari, e um regulamento que joga contra seu estilo, com carros saindo de frente, e sem as alternâncias de estratégia, sua especialidade. Será muito surpreendente se disputar o título.
Os objetivos das novas regras, tornar as provas mais emocionantes, não deverão ser atingidos. Ao contrário, propõem que o andamento das corridas ficou óbvio. Se tivesse ocorrido uma batida na largada, ontem, e o safety car entrasse na pista e os pilotos realizassem seu pit stop na terceira volta, por exemplo, poderiam ir até o fim sem nova parada porque gasolina não seria problema, com o fim do reabastecimento, e os pneus médios da Bridgestone, com a pista a 40 graus C, são tão resistentes que os pilotos poderiam terminar a prova sem substituí-los. Foi o que disseram os engenheiros.
A essa altura, a saída é a Bridgestone passar a fornecer pneus com menor autonomia para tentar tornar o show menos previsível.
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