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Vitoriosos, líderes militares obtêm prestígio

Principais protagonistas da ofensiva do Exército, general Setembrino e coronel Potyguara saem do conflito como heróis

12 de fevereiro de 2012 | 3h 12
O Estado de S.Paulo

O desfecho da guerra selou o destino de vencedores e vencidos no Contestado. O general gaúcho Setembrino de Carvalho (1867-1947), principal líder militar do conflito, voltou prestigiado para a capital federal. Os rumores de que tinha superfaturado preços de rações e munições se restringiam à caserna. Ele foi nomeado ministro da Guerra pelo presidente Artur Bernardes (1922-1926), um dos governos mais criticados por violações de direitos humanos da República, por fuzilamentos de presos políticos e bombardeios de áreas civis.

O coronel cearense Tertuliano de Albuquerque Potyguara (1873-1957) tentou levar adiante a imagem de oficial destemido e brilhante. Em 1918, embarcou para a Europa, onde se juntou ao 70.º Batalhão de Caçadores do Exército francês, que atuou na 1.ª Guerra. Foi ferido em combate. Na crise militar de 1922, num acalorado debate no Clube Militar, chamou de "cretino" o tenente Gwyer de Azevedo, adversário de seu grupo na instituição. Azevedo rebateu: "Cretino é Vossa Excelência. Não estamos no Contestado, onde Vossa Excelência mandava fuzilar a torto e a direito."

Potyguara sempre esteve ao lado do governo, ajudando a reprimir os movimentos revoltosos dos 18 do Forte e do movimento de 1924 em São Paulo. Nesse ano, no Rio, perdeu um braço ao abrir uma correspondência com explosivo, enviada por um militar desafeto. Mesmo assim, atuou na repressão aos paulistas, que voltariam a pegar em armas contra o governo federal em 1932. Potyguara chegou a general do Exército e foi eleito deputado federal pelo Ceará, mas jamais obteve o mesmo brilho da época do Contestado. Morreu em 1957, aos 84 anos.

O general Francisco Raul d'Estillac Leal passou o resto de seus dias tentando justificar o motivo de não ter dado apoio ao "destemido" capitão Potyguara e de não obtido sucesso na tomada de Santa Maria. Era criticado por jogar a culpa nos subordinados. Um de seus filhos, Newton Estillac Leal, foi ministro da Guerra (1951-1952) do governo constitucionalista de Getúlio Vargas. Caiu após forte campanha de setores da imprensa que o acusavam de acolher comunistas em seu gabinete e aconselhar Vargas a não mandar tropas para a Guerra da Coreia. Ao aceitar a demissão de Estillac Leal, Vargas admitia seu enfraquecimento e dava início ao processo de sua própria queda, em 1954.