Vulcabrás disputa ''final'' do Brasileiro
Empresa fornece material esportivo para três times com chances de título
Independentemente dos resultados dos jogos de domingo, o título de campeão de vendas do Campeonato Brasileiro de Futebol já tem dono. Fornecedora de material esportivo para três dos quatro times que brigam pelo título, a Vulcabrás-Azaleia comemora parceria inovadora da Olympikus com o Flamengo, que inaugura a atuação da marca no futebol profissional.
A expectativa é que a marca de 1 milhão de camisas vendidas seja atingida neste fim de semana, com seis meses de antecedência. Até o início da noite de sexta-feira, a empresa já havia vendido 962.222 camisas do clube, segundo dados do próprio Flamengo.
A meta de vender 1 milhão de camisas faz parte do contrato de parceria, que começou a vigorar em julho, dentro de uma estratégia da Vulcabrás para ampliar os negócios da marca Olympikus, até então restrita às prateleiras das lojas de calçados. "O futebol abre a possibilidade de ampliação da linha de confecções, que era negócio pequeno da marca", diz o diretor de Marketing Esportivo da companhia, Túlio Formicola Filho.
A Vulcabrás já era patrocinadora do São Paulo, do Internacional e do Cruzeiro, por meio da marca Reebok, da qual detém os direitos brasileiros. Neste ano, iniciou negociações com o Flamengo, em meio a uma separação litigiosa entre o clube e a Nike, que vendia uma média de 140 mil a 160 mil camisas do Flamengo por ano.
Com duração de um ano, o contrato assinado pela Vulcabrás com o clube carioca prevê o pagamento de R$ 5 milhões de luvas, R$ 7 milhões em material e a garantia mínima de R$ 8 milhões em royalties pela venda de camisas.
O valor dos royalties foi calculado sobre a venda de 1 milhão de unidades, meta que deveria ser atingida em 12 meses. "Esperávamos superar a meta, mas não tão rápido", admite o vice-presidente de Marketing do Flamengo, Ricardo Hinrichsen. "Havia grande demanda reprimida", completa Formicola.
O Corinthians, maior vendedor de camisas atualmente, tem uma média de cerca de 700 mil unidades por ano, segundo estimativas do mercado. Entre os clubes parceiros da Vulcabrás, o São Paulo é o que vende mais: cerca de 500 mil.
A estratégia de levar a Olympikus ao futebol começou a ser traçada em 2007, com a compra da Azaleia pela Vulcabrás, conta Formicola. Pela experiência com os outros clubes, a empresa sabia que a paixão do torcedor é garantia de maior espaço no mercado de vestuário. "Com o São Paulo, por exemplo, dobrou o número de clientes para o segmento de confecção da Reebok", aponta o executivo. "O futebol leva a marca a lojas onde ela não entraria."
CONCORRÊNCIA CHINESA
A parceria veio em um momento em que a companhia sofria com os efeitos da crise econômica mundial, principalmente com relação à invasão de produtos importados, que provocou a queda de 10% na receita este ano. No documento de divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a empresa cita especificamente a "concorrência de calçados provenientes da China, que tomaram o mercado interno com práticas desleais de preços, em detrimento da produção e do emprego local".
Segundo Formicola, o contrato com o Flamengo demandou modificações e contratação de funcionários para a fábrica de Horizonte, no Ceará, onde está concentrada a atividade têxtil do grupo. Hinrichsen diz que o número de pontos de venda da empresa é fator preponderante no sucesso de vendas: são cerca de 15 mil, ante 1,2 mil da antiga fornecedora.
"Havia grande demanda reprimida. Por mais doente que o torcedor seja, ele só pode comprar a camisa se encontrá-la nas lojas", comenta. "Ou, então, apela para a pirataria."
O bom desempenho nos primeiros meses reforça a ideia de manter um "relacionamento" de longo prazo com o clube, como o executivo prefere chamar. "Não tenho dúvida de que vai ser de prazo muito longo", concorda Hinrichsen.
Além do material, a Vulcabrás se comprometeu a investir R$ 8 milhões na abertura de 11 lojas temáticas - uma já está em operação na sede do clube - e no Museu do Flamengo, projetado nos moldes do Museu do Futebol, em São Paulo.
Para a Vulcabrás, a iniciativa levou a um reforço na aposta pelo futebol: a companhia comprou uma das cotas de patrocínio das transmissões da Copa do Mundo de 2010, por R$ 81,8 milhões.
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