À frente da UE, Nicolas Sarkozy quer 'proteger' os europeus
Líder francês promete se voltar às preocupações dos cidadãos; França assume a presidência do bloco na terça
O presidente francês Nicolas Sarkozy prometeu nesta segunda-feira, 30, "proteger" os cidadãos União Européia (UE) durante os seis meses que estiver a frente do bloco, em uma tentativa de fazer a UE mais relevante no dia-a-dia dos europeus, além de oferecer novas medidas. O plano de Sarkozy de fazer dos próximos seis meses um modelo da eficácia européia teve um revés pela rejeição irlandesa ao Tratado de Lisboa, freando o pacto que era previsto para entrar em vigor em 1.º de janeiro. Veja também: Turquia espera apoio francês para acelerar adesão à UE Sarkozy quer converter 'não' irlandês em oportunidades Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa Em um discurso televisionado de uma hora às vésperas de assumir a presidência da UE, o líder francês disse que tentará se voltar às preocupações dos cidadãos. "As coisas não estão indo bem mesmo", disse Sarkozy à emissora França 3. Suas prioridades consistem em um pacto europeu sobre a imigração, um acordo sobre o "pacote energia-clima" para que a UE esteja em uma posição de força para a negociação de um acordo internacional contra a mudança climática no final de 2009, a revisão da Política Agrícola Comum (PAC) e o relançamento da Europa da Defesa. "A Europa preocupa as pessoas e, pior que isso, eu acho que pouco a pouco nossos cidadãos estão se perguntando se o nível nacional de segurança não está melhor equipado para protegê-los que o nível europeu", acrescentou. No começo do mês, os irlandeses rejeitaram o Tratado de Lisboa alegando que o texto não compreende às preocupações dos aumentos dos impostos e legalização do aborto. "Nós temos que pensar como nós podemos proteger os europeus no dia-a-dia. Não devemos ter medo desta palavra, proteção", continuou Sarkozy, defendendo que os europeus devem ser protegidos dos riscos da globalização. Imigração Sarkozy reconheceu a dificuldade em firmar um pacto de imigração na UE, que apresentou como um dos objetivos na presidência semestral francesa no bloco. "Não digo que será fácil", destacou. O líder francês lembrou que ao existir acordo Schengen de livre circulação entre os países europeus a regularização dos imigrantes em um país membro afeta seus vizinhos. "Não se deve regularizar globalmente, deve-se pedir a opinião dos vizinhos", disse, ao se referir a regularização levada a cabo pela Espanha em 2005. O chefe de Estado da França advertiu que "há 450 milhões de jovens africanos menores de 17 anos e o Estreito de Gibraltar só mede 13 quilômetros", ao passo que afirmou que países como a recém-incorporada à UE Romênia "não pode proteger suas fronteiras" da onda de imigrantes do leste. O ministro da Imigração francesa, Brice Hortefeux, deve apresentar na UE nos próximos dias 7 e 8 um esboço de pacto europeu para imigração e asilo político, que a presidência francesa no bloco espera que seja aprovado em outubro. Na sexta-feira passada, em uma reunião presidida pelos líderes dos países em Zaragoza, Espanha e França não conseguiram chegar a um acordo sobre o projeto de acordo patrocinado por Paris. Para Sarkozy, "a frouxidão nos anos em que não havia ninguém no comando produziu o enriquecimento dos que traficam a miséria humana. Se aceitarmos todo mundo, temos de explorar o pacto social europeu", concluiu. Comemorações A Torre Eiffel foi iluminada nesta segunda com as cores e símbolos da bandeira européia para marcar o começo da presidência francesa na UE, em uma das muitas manifestações previstas para os próximos meses. Em uma cerimônia diante da torre iluminada de azul, o ministro do Exterior esloveno, Dimitrij Rupel, seu colega francês, Bernard Kouchner e o prefeito de Paris, Bertrand Delanöe, apertaram o botão que acendeu as doze estrelas amarelas que formam a gigantesca bandeira européia entre o primeiro e segundo andar do monumento mais emblemático de Paris. Mais rejeição Ainda nesta segunda, o presidente polonês Lech Kaczynski anunciou que não ratificará o Tratado de Lisboa por avaliar que "não tem sentido" após a rejeição do texto pelos irlandeses, segundo informações da agência France Presse.
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