Abbas afirma duvidar de acordo de paz com Israel neste ano
O presidente da Autoridade Palestina,
Mahmoud Abbas, disse nesta sexta-feira que duvida que um acordo
de paz com Israel possa ser firmado neste ano e fez um apelo
para que o próximo governo dos Estados Unidos continue as
negociações.
Lançadas no último mês de novembro com o objetivo de
estabelecer um acordo para a formação do Estado palestino antes
do fim do mandato do presidente norte-americano, George W.
Bush, em janeiro, as conversas de paz têm sido frustradas pela
violência e por disputas sobre a construção de assentamentos
judaicos.
"O que parece é que não conseguiremos chegar a um acordo
sobre as questões de Jerusalém, das fronteiras, dos refugiados,
e da água, até o final do ano", disse Abbas ao presidente
israelense Shimon Peres, segundo o gabinete de Peres informou
em nota.
"Mas estamos determinados para continuar as aceleradas
negociações diplomáticas simultaneamente com a mudança do
governo nos Estados Unidos", disse Abbas segundo a nota. Abbas
e Peres estiveram em uma conferência em Cernobbio, na Itália.
O negociador palestino Saeb Erekat, que está Cernobbio com
Abbas, disse à Reuters que autoridades ainda têm esperança de
que o acordo possa sair neste ano.
"Não excluímos a possibilidade de um acordo neste ano, mas
se não conseguirmos, iremos continuar a negociar de maneira
ininterrupta", disse Erekat.
Ehud Olmert deixou as conversas de paz no ostracismo depois
de anunciar que renunciaria ao cargo de primeiro ministro de
Israel depois que seu partido Kadima escohesse um novo líder, o
que acontecerá neste mês.
Mas Olmert continuará no cargo até que um novo governo seja
formado, um processo que pode levar meses.
Ambos os lados dizem que houve progresso nas negociações.
De acordo com uma proposta recente de Olmert, Israel daria
aos palestinos aproximadamente 92,7 por cento da Cisjordânia
ocupada mais a totalidade da Faixa de Gaza, de acordo com
autoridades palestinas e ocidentais informadas sobre as
negociações.
Em troca, Olmert propôs uma troca de terras de 5,3 por
cento, o que daria aos palestinos um território deserto
adjacente à Faixa de Gaza.
Mas a proposta de Olmert não ofereceu soluções para as
diferentes reivindicações na cidade sagrada de Jerusalém, e
seria implementada apenas se Abbas restabelecesse o controle da
Faixa de Gaza, tomada pelo Hamas há um ano.
Abbas recusou nos últimos dias qualquer acordo parcial com
Israel.
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