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Acordo não elimina chance de sanções, mas dificulta adoção das medidas

Conselho de Segurança estuda resoluções por recusa em paralisar enriquecimento de urânio

17 de maio de 2010 | 9h 13
Agência Estado

BRUXELAS - Diplomatas ocidentais próximos à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), braço das Nações Unidas, disseram que o acordo de troca de combustível nuclear assinado nesta segunda-feira, 17, pelos ministros de relações exteriores do Irã, Turquia e Brasil não elimina a perspectiva de aplicação de novas sanções contra o Irã, embora torne a adoção de tais medidas mais difícil.

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"A questão não é o TRR (Teerã Research Reactor, o reator de pesquisas médicas que receberá o combustível enriquecido na Turquia, conforme o acordo). Eles estão sob as sanções por se recusar a suspender o enriquecimento de urânio, é preciso não esquecer", disse um diplomata ocidental.

Baroness Ashton, porta-voz da diretora do escritório de Relações Exteriores da União Europeia (UE), afirmou que o acordo "não responde a todas as preocupações" trazidas pelo programa nuclear do Irã. "É um movimento na direção correta, mas não responde a todas as preocupações levantadas sobre o programa nuclear do Irã".

O acordo, porém, pode minar os esforços dos EUA de aplicar sanções contra o Irã. A China e a Rússia, que rejeitam a imposição de tais medidas, já que mantêm boas relações comerciais com os iranianos, podem ver o anúncio do acordo como pretexto para encerrar as discussões sobre as resoluções do Conselho de Segurança.

As medidas, entretanto, não são baseadas no acordo de troca de material nuclear. O Conselho de Segurança estuda sua aplicação porque o Irã se recusa a interromper o enriquecimento do urânio ao abrir suas instalações nucleares para a inspeção de organismos internacionais, o que faz com que as potências acusem a República Islâmica de não cooperar transparentemente com a AIEA.

Os EUA se encontram em uma posição delicada. Se se distanciar do acordo, parecerá que o país está se distanciando de um pacto similar ao que pretendia assinar há alguns meses. Mas se aceitá-lo, muitas das questões pendentes terão de ser tratadas diretamente com o Irã nos próximos meses, inclusive sobre a possível produção de armas, o que pode levar ainda muito tempo. O governo americano acredita que essa seja a meta do Irã, segundo o jornal New York Times.

O Irã já sofreu três rodadas de sanções das Nações Unidas por se recusar a suspender o enriquecimento de urânio, que o Ocidente teme que se converta em um programa de desenvolvimento de armas nucleares. Teerã insiste prosseguir com o enriquecimento, mesmo após a assinatura do acordo de troca de combustível.

A AIEA tenta atrair o Irã desde outubro para assinar um acordo com os EUA, a França e a Rússia, a fim de que o país envie seu urânio pouco enriquecido para o exterior e receba em troca combustível para o reator de pesquisa. Mas o Irã tem evitado o acordo, insistindo querer manter o urânio em seu próprio território para troca simultânea de combustível ao reator.

Pelo novo acordo assinado entre os ministros do Irã, Turquia e Brasil, o Irã irá depositar na Turquia 1.200 quilogramas de urânio em um mês e em troca receberá material nuclear (enriquecido a 20%) para seu reator de pesquisas médicas. As informações são da Dow Jones.