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África pede que ricos cumpram promessas de ajuda

22 de setembro de 2008 | 21h 50
LESLEY WROUGHTON - REUTERS

Líderes africanos pediram na

segunda-feira que, apesar das atuais turbulências econômicas,

os países ricos cumpram suas promessas de ajuda ao

desenvolvimento e combate à pobreza no continente.

O presidente da Tanzânia e da União Africana, Jakaya

Kikwete, disse numa reunião da Organização das Nações Unidas

(ONU) que os países ricos têm "obrigação moral" de ajudar os

pobres, mesmo com o eventual agravamento da crise.

Segundo ele, esse dinheiro é especialmente importante

porque muitos países da África estão crescendo aceleradamente e

precisam construir uma infra-estrutura de transportes e energia

que permita levar seus produtos aos mercados internacionais.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lembrou que a

África está ficando para trás no cumprimento das Metas de

Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas em 2000 para serem

alcançadas até 2015, especialmente na redução da pobreza.

Ele disse que é preciso um esforço concentrado para ajudar

a África a superar novos desafios, como o aumento dos preços de

alimentos e combustíveis e a mudança climática.

Ban, que falou sobre a pobreza no seu discurso anual à

Assembléia Geral da ONU, disse que a África deveria receber 72

bilhões de dólares anuais em ajuda.

"Esse preço pode parecer assombroso, mas é factível e se

enquadra sob compromissos de ajuda existentes", disse ele,

lembrando que os países industrializados gastaram em 2007 267

bilhões de dólares só em subsídios agrícolas.

O plano do governo dos EUA para auxiliar instituições

financeiras em dificuldades equivale a 10 vezes a quantia que

Ban pediu para a África. A crise financeira elevou o preço

global do petróleo em mais de 20 por cento, recorde de aumento

em um só dia -- o barril superou os 120 dólares na

segunda-feira.

Kikwete disse que, embora a África possa ser rica em

reservas petrolíferas, grande parte dessa riqueza ainda não é

aproveitada.

"Vamos planejar nosso próprio desenvolvimento, mas temos

recursos inadequados para conseguir implementar esses planos, e

queremos que nossos esforços sejam complementados pelos países

desenvolvidos", disse ele.

DOADORES

O presidente do Banco de Desenvolvimento Africano, Donald

Kaberuka, disse que a crise nos países desenvolvidos vai afetar

a África, especialmente se houver um declínio acentuado na

demanda por matérias-primas.

"Esta crise é séria, mas francamente espero que não leve a

esforços reduzidos para ajudar os países em desenvolvimento,

porque isso seria uma frustração", declarou o dirigente.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que a África

vive um momento decisivo, mas que os governos precisam evitar

mais dívidas, que exigiriam um novo perdão dos países ricos no

futuro.

"Não montemos hoje o cenário para uma nova crise da dívida

em 2030", disse ele, que questionou restrições dos doadores

tradicionais a determinados projetos.

Grandes doadores emergentes, como a China, estão ampliando

o financiamento de projetos energéticos e de transportes na

África, em geral em países ricos em recursos naturais, e

fazendo vista grossa para abusos a direitos humanos e

corrupção.

Kikwete disse que China, Índia e Brasil estão investindo em

projetos necessários de infra-estrutura, mas que sua capacidade

de ajudar a África é limitada.





Tópicos: ONU, AFRICA, DOAÇÕES

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