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Ahmadinejad pede para que Obama não interfira no Irã

Presidente iraniano endurece o tom contra líder americano e o acusa de comportar-se como Bush

25 de junho de 2009 | 7h 56

 O presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez um alerta ao presidente americano, Barack Obama, para que ele não interfira nos assuntos internos iranianos após as declarações de Washington condenando a violência usada contra os manifestantes na onda de protestos que atingiu o país. Ahmadinejad ainda comparou Obama com o seu antecessor, George W. Bush, e afirmou não ver sentido em manter diálogo com Washington se o presidente americano não se desculpar.

Ahmadinejad discursa em petroquímica em foto distribuída pelo governo - Reuters
Reuters
Ahmadinejad discursa em petroquímica em foto distribuída pelo governo

Obama endureceu o discurso contra o Irã no início da semana ao afirmar que o mundo está "chocado e indignado" com as agressões contra manifestantes que protestam contra o resultado da eleição que garantiu a vitória de Ahmadinejad. "O senhor Obama cometeu um erro ao dizer essas coisas, nossa pergunta é porque ele caiu nesta armadilha e disse coisas que seu antecessor teria dito", afirmou Ahmadinejad segundo a agência de notícias semioficial Fars.

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"Você quer falar com o Irã nesse tom? Se essa é a sua postura, então não haverá o que ser falado... Espero que você evite interferir nos assuntos internos e expresse suas desculpas de um modo que a nação iraniana seja informada", afirmou.

Segundo o jornal britânico The Guardian, uma campanha aparentemente orquestrada para culpar o Ocidente pelos problemas do Irã está hoje a pleno vapor e não se sabe até que ponto o regime pretende ir. Embaixadores europeus são advertidos pela chancelaria iraniana. Os programas da BBC estão sofrendo interferências e seu correspondente em Teerã foi expulso.

Cerca de 20 pessoas morreram nas manifestações após os resultados das eleições de 12 de junho. Policiais e milícias ocuparam as ruas de Teerã desde sábado, sufocando a maioria dos protestos, os maiores no país desde a Revolução Islâmica de 1979. Os distúrbios mostraram diferenças sem precedentes entre o clero iraniano e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que costuma manter-se acima das disputas políticas internas do país mas nesta ocasião alinhou-se claramente com Ahmadinejad. Khamenei afirmou claramente que manterá o resultado das eleições e que qualquer banho de sangue será responsabilidade dos líderes da oposição.