AI critica 'confissão' de iraniana condenada à morte em canal estatal
ONG diz que confissões são recurso usado pelo governo depois de torturar os acusados
LONDRES - A organização defensora dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) criticou nesta quinta-feira, 12, a transmissão pela televisão de uma suposta confissão de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a iraniana acusada de adultério e condenada inicialmente à morte por apedrejamento.
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ESPECIAL - Caso Sakineh Ashtiani
Em um programa transmitido na noite de quarta-feira pela televisão estatal do Irã, Sakineh, considerada culpada de ter "relações ilícitas" com dois homens em 2006 depois de ficar viúva, teria confessado envolvimento no assassinato de seu marido.
O vídeo transmitido mostrava a suposta Sakineh com um efeito de borrão no rosto e sua voz havia sido encoberta pela tradução do dialeto local para o farsi - idioma falado no Irã -, impedindo a verificação da identidade da mulher e da veracidade do vídeo.
Segundo a AI, as confissões televisionadas são utilizadas de forma recorrente pelas autoridades iranianas para incriminar seus presos, que acabam confessando sob coerção ou, inclusive, depois de serem torturados.
A subdiretora da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, Hassiba Hadj Sahraoui, afirmou que o vídeo "coloca em relevo a falta de provas contra Ashtiani". "Parece que as autoridades iranianas orquestraram esta confissão após o pedido de uma revisão da condenação à morte para acrescentar uma nova acusação contra Ashtiani, a de ter matado seu marido", declarou Sahraoui.
Além disso, a organização acredita que a transmissão da confissão "coloca em dúvida a independência do sistema judiciário iraniano, que, para ser levado a sério, deveria assegurar que a confissão transmitida não fará parte da revisão do caso".
Embora a revisão da condenação de Sakineh tenha começado no dia 4 de agosto no Supremo Tribunal iraniano, ela poderia tratar-se de uma tentativa das autoridades do Irã para reduzir a pressão internacional, denunciou a AI.
O caso da iraniana ganhou repercussão internacional quando seu advogado, Mohammed Mostafaie, levou o caso a público. A pressão fez com que o Irã mudasse a acusação de adultério para assassinato e a condenasse à forca. O advogado diz ter sido perseguido e por isso fugiu e está na Noruega.
O presidente Lula tentou intervir no caso e ofereceu asilo à iraniana. Teerã, porém, chamou o brasileiro de "emotivo", recusou o pedido e disse que o governante não está bem informado sobre a questão.
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