Ajuda só chega a 25% dos haitianos, reconhece ONU
A ONU reconheceu ontem ter conseguido alimentar apenas 25% dos sobreviventes e diz que, até hoje, nem sequer chegou a todos os que sofreram com a tragédia. Pelo menos 2 milhões de haitianos ainda dependem de ajuda alimentar. A dificuldade na distribuição de comidas aos haitianos é perceptível. Nos últimos dias, o jornal O Estado de S. Paulo acompanhou cinco ações em que dezenas de pessoas foram para a fila, mas ficaram sem os mantimentos.
Não há distinção de região: Cité Soleil, Bel Air ou o Palácio Nacional. As tropas da ONU evitam divulgar aos haitianos quando e onde haverá entrega de mantimentos. A chegada costuma ser de surpresa, em articulação com os líderes comunitários de cada região. Oficialmente, o argumento dos militares é de que essas operações evitam tumultos.
O efeito, porém, tem sido o contrário. Antes, havia um privilégio para as mulheres na fila. Depois do terremoto, não há mais esse controle. Vale quem chegar primeiro. Assim como não se controla a quantidade de vezes que alguém recebe os mantimentos.
Em todas as operações acompanhadas pela reportagem, dezenas de haitianos vão para a fila, se espremem, e ficam sem comida. Na madrugada de ontem, muitos reclamavam não terem recebido nada.
Cidades do interior
A ONU anunciou que pretende aumentar o valor destinado às operações humanitárias. O trabalho deverá ser mantido por pelo menos um ano - ao contrário da previsão inicial, que era de apenas seis meses. O problema é que apenas um terço do dinheiro, US$ 275 milhões, foi liberado até agora. Outra prioridade do trabalho de socorro é o de garantir que barracas sejam enviadas ao Haiti. Até agora, a organização conta com apenas 40 mil barracas - boa parte ainda nem chegou.
A organização também anunciou que pretende dar mais atenção às cidades do interior, já que quase 300 mil sobreviventes deixaram a capital rumo a essas regiões. A ONU afirma que o atendimento aos haitianos está "entrando nos trilhos". "Ainda não é perfeito, mas a tarefa não é impossível", disse Elizabeth Byrs, porta-voz da organização. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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