Aliados ao governo se destacam nas eleições do Iraque
Os resultados iniciais das eleições provinciais realizadas neste sábado, 31, devem demorar vários dias
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, que tem o apoio do governo norte-americano, aparentemente, se sobressaiu nas eleições provinciais, com os eleitores premiando grupos que lutaram contra milícias e insurgentes. Os resultados iniciais das eleições provinciais realizadas neste sábado, 31, devem demorar vários dias. Mas repórteres da imprensa iraquiana e entrevistas realizadas pela Associated Press sugeriam que os candidatos que tiveram o apoio do premiê tiveram desempenhos significativos na crucial região sudoeste do Iraque, coração dos grupos xiitas. Veja também: Número de mortos no Iraque em janeiro é o menor desde 2003 Eleições no Iraque terminam sem grande violência Iraque vai às urnas sob forte esquema de segurança Obama se diz atento a eleição iraquiana e promete plano em breve Se esses indícios se confirmarem, devem fortalecer al-Maliki antes das eleições nacionais previstas para o final deste ano. Também refletiriam um distanciamento em relação aos partidos de conotação mais religiosa que dominam o país. O índice de comparecimento nacional na eleição foi de 51%, de acordo com o presidente da comissão eleitoral, Faraj al-Haidari. A presença nos postos de votação oscilou entre um porcentual de 40% na Província de Anbar, dominada pelos sunitas, a 65% na Província de Salahuddin, que inclui a terra natal de Saddam Hussein. Não havia dados finais prontos sobre o comparecimento na região de Bagdá, mas al-Haidari declarou que informações preliminares indicam uma presença próxima a 40%. Os grupos aliados a Al-Maliki aparentemente mantiveram a liderança em diversas área ao sul do país, incluindo nas cidades importantes de Basra e em Najaf, centro espiritual xiita, segundo a emissora privada de TV Al-Sharqiya. Essa tendência era respaldada por comentários de eleitores em Basra e em outras áreas. Muitos eleitores apoiaram a ofensiva do governo para desmantelar o controle das milícias xiitas em Basra e outras regiões no ano passado. "Al-Maliki colocou um fim ao reinado miliciano do terror", disse Faisal Hamadi, de 58 anos, após votar em Basra. "Por conta disso, ele merece nosso voto." O favoritismo dos aliados de al-Maliki deve ocorrer à custa do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano, o maior partido xiita, que é um parceiro importante do governo, mas sinalizou que poderia fazer uma tentativa para assumir a liderança do país nas eleições nacionais do final deste ano. O conselho tem uma base sólida junto às autoridades religiosas xiitas, que são vistas com uma certa dose de desconfiança entre alguns iraquianos por suas ligações com o vizinho Irã e com seus apelos para fomentar a violência sectária. Na Província de Anbar, localizada ao Oeste do país, membros da tribo sunita também esperavam conquistar apoio público para o seu papel de combatente dos insurgentes. Os chamados Awakening Councils, um misto de milícias de autodefesa e de organizações políticas locais, que se rebelaram contra o Al-Qaeda no Iraque e contra outras facções no final de 2006, têm a credencial de terem liderado uma reviravolta na guerra. Os líderes tribais tentam agora assegurar vagas nos conselhos provinciais, que controlam gastos, empregos e tem um papel influente em termos regionais. Os sunitas boicotaram totalmente as eleições provinciais de 2005 por temerem retaliações por parte de insurgentes e opositores à ocupação norte-americana no Iraque. As eleições ocorreram sem nenhum episódio de violência séria e foram consideradas como um grande avanço por parte de autoridades iraquianas, que lutam para que a estabilidade retorne ao país seis anos após a invasão liderada pelos EUA. Mas circulavam várias informações sobre eleitores que ficaram de fora das listas de votação. Autoridades eleitorais afirmaram que investigariam as denúncias. A eleição ocorreu em 14 das 18 províncias do Iraque. A região autônoma curda não realizou eleições regionais como as outras províncias iraquianas, assim como a disputada província petroleira de Kirkuk, onde grupos étnicos não concordam com a fórmula de poder compartilhado. Presença da população Sete milhões e meio de iraquianos - 51% dos eleitores - votaram nas eleições provinciais que se realizadas ontem no Iraque, informou o presidente da Comissão Eleitoral Independente, Farah al Haydary. Segundo agência local Aswat al-Iraq, ele disse que os resultados da eleição serão divulgados no final desta semana. (Com Efe)
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