Ameaças à liberdade de expressão espalham-se pela AL
Entre os novos métodos estão ações judiciais e administrativas, multas e interrupção de concessões
Nos últimos anos, as ameaças à imprensa disseminaram-se pela América Latina seguindo um modelo que, segundo analistas, parece ter sido criado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e copiado por Bolívia, Equador e Nicarágua, além da Argentina. Entre os novos métodos de censura estão ações judiciais e administrativas contra jornais, rádios e TVs, multas, novas leis e a não renovação ou interrupção de concessões.
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Chávez declarou guerra à imprensa em 2002, quando algumas emissoras apoiaram um golpe contra seu governo. Em 2007, ele rejeitou renovar a concessão da maior televisão do país, a RCTV, e agora ameaça fechar a TV Globovisión e mais de 200 rádios. Além disso, seus aliados costumam atacar jornalistas críticos ao governo.
O presidente equatoriano, Rafael Correa, também ameaça tomar controle de rádios e TVs alegando irregularidades em suas concessões. No mês passado, ele qualificou a imprensa como o "maior adversário" de seu governo.
Uma retórica semelhante é adotada pelo nicaraguense Daniel Ortega, que ontem mesmo conclamou seus aliados a "lutar" contra meios opositores: "Eles servem de caixa de ressonância para os inimigos do nosso projeto popular."
Na Bolívia, os ataques à imprensa privada vêm acompanhados de um esforço para expandir os meios oficiais. Evo Morales abriu 250 novas rádios e reaparelhou a TV estatal. Mas ameaçou nacionalizar o maior jornal do país, o La Razón, e está processando o La Prensa.
Já no Brasil, preocupam os grupos de defesa da liberdade de expressão os processos judiciais para barrar informações de interesse público - como a ação que censurou o Estado a pedido de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.
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