Americanos renovam Congresso em 'referendo' sobre Barack Obama
Câmara dos Representantes e Senado serão renovados; 37 Estados elegem governador
Obama e o vice Joe Biden pedem votos aos candidatos democratas na Universidade de Cleveland
SÃO PAULO - Os americanos renovam nesta terça-feira, 2, a Câmara dos Representantes e um terço do Senado em votação considerada por analistas como um "referendo" sobre a primeira metade do mandato do presidente Barack Obama. A lenta recuperação da economia dos Estados Unidos, que ainda sofrem com altos índices de desemprego e um crescimento pequeno do Produto Interno Bruto (PIB), deve levar os republicanos a retomar o controle da Câmara e aumentar a bancada no Senado.
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Segundo Robert Sean Purdy, professor de História dos Estados Unidos da Universidade de São Paulo (USP), as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA são uma espécie de termômetro para o pleito presidencial de 2012. A liderança dos republicanos nas pesquisas de intenção de voto refletem o descontentamento com os dois primeiros anos do atual governo.
"Obama não conseguiu cumprir suas promessas de campanha em nenhuma área. A economia ainda está indo mal, e ele não conseguiu impor sua agenda. Os republicanos estão aproveitando essa frustração dos eleitores", diz o professor. Para ele, é bastante provável que a força dos democratas seja diminuída no Congresso e que o partido do presidente corra o risco de perder a maioria.
Atualmente, tanto o Senado quando Câmara dos Representantes são dominados pelos democratas. Mesmo assim, de acordo com Purdy, Obama enfrentou diversos obstáculos na aprovação de leis que prometeu durante a campanha e não implantou mudanças substanciais em relação às políticas de seu antecessor, o republicano George W. Bush.
Para o analista do Brookings Institute, Thomas Mann, a eventual vitória republicana deverá dificultar ainda mais a gestão de Obama nos próximos dois anos. Mann acredita que o presidente precisará adequar suas políticas para atrair o apoio da oposição. "Haverá medidas defensivas para evitar que os republicanos prejudiquem a aprovação de reformas, como a da educação, e acordos de comércio", analisa.
A campanha dos democratas, que contou com a participação ativa de Obama, tem optado por um caminho desfavorável, segundo Purdy. "Os democratas deixam de falar de si para falar sobre como será o futuro com os republicanos. É uma estratégia complicada, não oferece nada de novo, o que acaba favorecendo a oposição", destaca o professor.
"A falta de alternativas oferecida pelo atual governo faz com que movimentos como o Tea Party ganhe espaço, o que pode levar o país de volta à estratégia de Bush ou até mesmo a políticas que seriam impensáveis há dez anos", conclui.
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