ANÁLISE - Isolar a Rússia é inviável para os EUA
A despeito das ameaças, o governo
Bush não pode se dar ao luxo de isolar a Rússia como retaliação
pela incursão militar na Geórgia, afirmaram analistas ouvidos
na sexta-feira.
"Parece-me que os EUA precisariam ter uma razão muito boa
para romper relações com a Rússia e voltar aos dias negros da
Guerra Fria", disse à Reuters Charles Kupchan, da entidade
Conselho de Relações Exteriores.
"Não acredito que os fatos até agora forneçam tal razão.
Cada uma das partes precisa demais da outra", acrescentou.
Muita coisa seria afetada caso as relações voltassem aos
maus tempos da Guerra Fria -- cooperação na ONU, controle dos
programas nucleares do Irã e Coréia do Norte, acesso dos EUA à
Ásia (especialmente Afeganistão) e o mercado de energia.
Até agora, a reação de Washington é primordialmente
retórica, com manifestações de apoio à aliada Geórgia, que na
semana passada enviou tropas para tentar retomar o controle da
república separatista da Ossétia do Sul, atraindo a retaliação
militar de Moscou, que desde a década de 1990 garante a
autonomia dessa região.
Os EUA excluíram a Rússia das discussões sobre o tema no G8
(grupo dos sete países industrializados, mais a Rússia) e
cancelaram um exercício naval conjunto. Além disso, o governo
disse que a participação russa em entidades globais como a
Organização Mundial do Comércio poderia ser ameaçada caso a
ação militar prossiga.
MOSCOU FORA DA ROTA
Rice, cuja formação é de especialista em União Soviética,
foi nesta semana à França e à Geórgia para discutir a crise,
mas não esteve em Moscou. O Departamento de Estado garante que
ela mantém contato telefônico freqüente com o chanceler russo,
Sergei Lavrov, mas o fato é que ela passa muito mais tempo
demonstrando apoio ao governo de Tbilisi.
"Nunca lucramos muito por não conversar com pessoas com as
quais não vemos um terreno comum. Nunca acreditei que sejamos
muito eficazes tentando jogar o jogo da recompensa e punição
com uma nação tão grande quanto a Rússia", disse James Collins,
ex-embaixador dos EUA em Moscou, hoje analista do Fundo
Carnegie para a Paz Internacional.
As relações russo-americanas se desgastaram acentuadamente
nos últimos anos, especialmente por causa dos planos dos EUA de
instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu, o que Moscou
teme que altere o equilíbrio estratégico na sua área de
influência.
Também há divergências a respeito da independência de
Kosovo e da adesão da Geórgia à Otan. Piorando ainda mais o
clima, na quinta-feira a Polônia aceitou que os EUA instalem
dez interceptadores de radares em seu território.
"O acordo com a Polônia certamente eleva as apostas, e
acredito que o momento foi qualquer coisa menos uma
coincidência", disse Kupchan.
Especialistas dizem que cabe aos EUA demonstrar sua
insatisfação com as ações na Geórgia, mas sem fechar as portas
para um parceiro estratégico como a Rússia.
"Não devemos tirar o olho da questão imediata, pois pela
primeira vez desde o fim da União Soviética tropas russas
invadiram e estão ocupando outro país", disse Strobe Talbott,
ex-alto-funcionário do Departamento de Estado, hoje presidente
da Brookings Institution.
"Mas isolar a Rússia não é realmente uma opção, ela não
ficará isolada. É grande demais, poderosa demais", acrescentou.
Para Kupchan, ainda é cedo para traçar cenários mais
negativos. "Se por uma razão ou outra os russos mantiverem a
ocupação, forem até Tbilisi e derrubarem [o presidente Mikheil]
Saakashvili, aí provavelmente estaremos num mundo onde a Rússia
se encontra fora da comunidade de nações e algum tipo de
rivalidade militarizada deve retornar. Tirando isso,
preservemos nosso julgamento até termos uma noção melhor da
história".
Siga o @EstadaoInter no Twitter
- 01 Petrobras busca reajuste de combustíveis via ...
- 02 Serra chama de 'lixo' livro sobre ...
- 03 Para bispo, ministra da Secretaria das ...
- 04 Japão mobiliza 900 soldados para ...
- 05 Irã bloqueia acesso ao Google e a outras ...
- 06 Retrospectiva 2011: Terremoto e tsunami matam ...
- 07 Mercadante quer dar bônus para escola que ...
- 08 PT reage a FHC: 'Disputa ideológica sobre ...
- 09 Presidente do PT critica privatizações ...
- 10 Em 2004, ministra admitiu ter feito ...
Grupo Estado
- Copyright © 1995-2011
- Todos os direitos reservados








