Após cinco anos preso, Gilad Shalit reencontra família em Israel
Militar foi trocado por mil prisioneiros palestinos em acordo fechado pelo Hamas e por Tel Aviv
Atualizado às 14h21

JERUSALÉM - Após cinco anos e quatro meses como refém da facção radical palestina Hamas, o soldado israelense Gilad Shalit, voltou à sua casa e aos braços de seus familiares nesta terça-feira. O militar foi libertado em troca da soltura de 477 prisioneiros palestinos em Israel, conforme prevê um acordo fechado por Tel Aviv e pelos radicais palestinos há uma semana. Outros 550 prisioneiros serão soltos em dezembro.
Durante a manhã, Shalit foi levado pelo Hamas até a fronteira com o Egito e entregue às autoridades do Cairo. Em seguida, os egípcios o levaram até os limites com Israel, onde encontrou representantes do governo israelense. Ele aparentava estar saudável, mas exames conduzidos após seu regresso apontaram problemas com nutrição, segundo a imprensa israelense. Nenhum incidente foi relatado durante o processo de troca.
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Antes de voltar ao seu país, porém, Shalit falou à televisão estatal egípcia. Na breve entrevista, o soldado parecia desanimado e indiposto a falar, mas afirmou que soube da sua libertação há uma semana - justamente quando o acordo foi anunciado oficialmente tanto pelo Hamas quanto por Israel - e que foi bem tratado durante os mais de cinco anos em que permaneceu preso.
Após entrar em Israel, Shalit foi transportado à base aérea de Tel Nof a bordo de um helicóptero militar. Lá, encontrou seus pais, Noam e Aviva, que lideraram uma intensa campanha pela libertação do filho nos últimos cinco anos. Eles organizaram passeatas em todo o país e armaram uma barraca de protesto do lado de fora da residência oficial do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que também recebeu o militar.
Festa
A chegada de Shalit foi motivo de festa em todo o país. Milhares de israelenses acompanharam atentos o passo-a-passo da troca de prisioneiros, que foi concluída por volta das 12h40 locais (8h40 de Brasília), segundo o governo de Israel.
Minutos depois, o premiê israelense discursou, dizendo que desde que reassumiu o cargo, em 2009, trabalhou pela libertação do Shalit, capturado perto da fronteira com a Faixa de Gaza em 2006. Netanyahu, porém, foi duro e ameaçou os palestinos libertados, dizendo que eles "serão punidos caso voltem a praticar atos violentos". O premiê disse compreender a dor das famílias israelenses que perderam parentes em razão da violência palestina, mas afirmou que Israel "continuará a lutar contra o terrorismo".
Palestinos
Mais cedo, antes da libertação do israelense, havia sido iniciada a troca com o envio dos palestinos para Gaza, para a Cisjordânia e países como Turquia, Síria, Catar e Jordânia, que aceitaram recebê-los.
Tanto em Gaza - território controlado pelo Hamas - quanto na Cisjordânia, os prisioneiros foram recebidos com comemorações. Milhares de pessoas acenavam e agitavam bandeiras para os palestinos. Em Gaza, foi declarado feriado nacional e as escolas foram fechadas.
"Acho que o acordo representa algo grande para o povo palestino. Aqueles que ainda estão presos estão alegres por aqueles que foram libertados", disse o vice-líder exilado do Hamas, Moussa Abu Marzouk, que cumprimentou os prisioneiros que chegavam de Israel ao Egito.
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