Após derrota em Tóquio, premiê do Japão convoca eleições
Partido do governo sofre sexta derrota em eleições muncicipais; pleito será em 30 de agosto.

O enfraquecido primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, convocou eleições gerais para o próximo dia 30 de agosto, depois que sua coalizão sofreu uma derrota crucial nas eleições locais de Tóquio, no domingo.
Segundo o gabinete do premiê, a data foi fechada com o Partido da Liberal Democracia (PLD), de Aso, e com seus parceiros na coalizão de governo.
Segundo a agência de notícias Kyodo, o premiê disse a parlamentares do partido que o Parlamento seria dissolvido no próximo dia 21 de julho.
Nas eleições de domingo, o opositor Partido Democrático do Japão (PDJ) obteve 54 cadeiras na assembleia local, 16 a mais do que o PLD, encerrando quatro décadas de dominância do partido na política local.
Estra foi a sexta derrota da coalizão de governo em eleições locais e municipais em questão de semanas.
A taxa de aprovação de Taro Aso está na casa dos 20% e o premiê vinha sendo criticado dentro do próprio partido.
O premiê agora deve enfrentar forte pressão para deixar a liderança do partido antes das eleições gerais.
Eleições
Membros do PLD temem que o resultado das eleições em Tóquio possa ter impacto sobre as eleições gerais.
O líder do oposicionista PDJ, Yukio Hatoyama, tinha pedido que Aso "atendesse à voz do povo dissolvendo a Câmara baixa do Parlamento e convocando eleições gerais".
"Nas eleições para a assembleia de Tóquio as pessoas demonstraram sua insatisfação, resultante da forma como a política nacional e a política de Estado estão sendo levadas", disse ele.
"Os eleitores estão dizendo não, tanto para a política metropolitana como para a política nacional."
Mas muitos dentro do partido de Aso temem que convocar uma eleição para um prazo tão curto possa vir a ser um suicídio político, afirma o correspondente da BBC em Tóquio.
Eles preferiam que o premiê renunciasse para que um novo líder fosse escolhido para comandar o partido nas eleições, que, idealmente, deveriam ser realizadas mais perto do fim do prazo final para a convocação de eleições, em outubro.
Taro Aso é o quarto primeiro-ministro do Japão desde as últimas eleições para a Câmara baixa do Parlamento (mais poderosa), em 2005.
Seu partido, o PDL, governou o Japão pelos últimos 50 anos, com exceção de um período de menos de um ano nos anos 90.
Mas o PDJ prometeu quebrar o controle da burocracia sobre a política e introduzir novas medidas para promover o bem-estar social.
A imagem do partido oposicionista, entretanto, foi arranhada por escândalos de doações - recentemente, Hatoyama teve que se desculpar porque havia nomes de pessoas mortas na lista de doadores do partido.
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