Árabes entram em conflito com a polícia em Jerusalém
Violência começou depois de circular rumor de que extremistas judeus invadiriam complexo de templos
Palestinos atacaram a polícia com pedras e tijolos, após rumor de invasão de judeus ortodoxos
JERUSALÉM - A polícia de Israel invadiu o complexo da mesquita de al-Aqsa neste domingo, 25, jogando granadas de efeito moral em palestinos que revidavam com pedras, em outra erupção de violência na área mais delicada da cidade. O local é de grande importância religiosa para católicos, muçulmanos e judeus.
Segundo informações do Crescente Vermelho e das forças de segurança iraelenses, entre seis e 18 palestinos ficaram feridos, e 16 foram presos.
Os confrontos começaram como uma reação dos muçulmanos ao policiamento ostensivo no complexo neste domingo. No sábado, líderes muçulmanos teriam incitado a reação dos palestinos diante de rumores de que extremistas judeus planejavam entrar no local. As ameaças levaram ao aumento no policiamento.
De acordo com o jornal israelense Haaretz, até o momento não há indícios de uma ação dos extremistas. Jerusalém é reivindicada pelos muçulmanos como capital de um futuro Estado Palestino. Israel, no entanto, não abre mão de ter a cidade sagrada como sua capital.
Os conflitos acontecem um mês após um incidente similar, na mesma região da cidade. Eles parecem indicar que a violência não vai diminuir, o que dificulta a tentativa dos Estados Unidos de reavivar diálogos de paz entre israelenses e palestinos.
A polícia não entrou no edifício da mesquita de al-Aqsa, situada em al-Haram al-Sharif (Santuário Nobre). Para os muçulmanos, o local é o terceiro mais sagrado depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita.
O complexo é considerado sagrado também pelos judeus, que o chamam de Monte do Templo, onde os dois templos bíblicos estiveram um dia. Israel capturou o local na guerra de 1967, junto com o resto de Jerusalém oriental e partes da Cisjordânia, anexadas pelo país.
Pedras e tijolos
No conflito deste domingo, dezenas de jovens árabes atacaram a polícia com pedras e tijolos nas estreitas vielas ao redor do complexo da mesquita, que fica logo acima do Muro das Lamentações, lugar sagrado para o judaísmo.
A tropa de choque correu para dentro do complexo protegida por escudos e capacetes e armada de cassetetes. A polícia utilizou bombas de efeito moral para afastar os muçulmanos que os atacavam com pedras. Os muçulmanos se entrincheiraram dentro da mesquita de al-Aqsa.
Um porta-voz da polícia disse que 15 pessoas foram presas e que a calma havia voltado à região. O policiamento foi aumentado em Jerusalém Oriental.
Autoridades palestinas reclamam que Israel está fechando o cerco e enrijecendo o controle sobre a cidade antiga e parte Jerusalém Oriental.
Israel diz que Jerusalém toda é sua capital, uma afirmação que não é reconhecida internacionalmente, e diz que a construção de casas para judeus ali continuará apesar de pedidos dos palestinos e de autoridades internacionais para que o avanço pare.
Os palestinos querem Jerusalém oriental como a capital de um Estado que eles esperam estabelecer na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Com informações da Reuters
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