Assessor de Abbas pede que mundo isole Netanyahu após discurso
As potências mundiais devem isolar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, após ele ter apresentado exigências duras para aceitar um acordo de paz no Oriente Médio, disse um assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, nesta segunda-feira.
Em um importante discurso político no domingo, Netanyahu respondeu a semanas de pressão dos Estados Unidos finalmente afirmando aceitar, com condições, a criação de um Estado palestino desmilitarizado.
Os palestinos ficaram insatisfeitos com as demandas do premiê israelense, entre elas de reconhecer Israel como um Estado judeu e de não acatar o pedido do presidente dos EUA, Barack Obama, de acabar com o avanço dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.
"A comunidade internacional deve confrontar essa política, com a qual Netanyahu quer matar qualquer chance de paz", disse à Reuters o conselheiro de Abbas Yasser Abed Rabbo.
"Os países devem isolar e confrontar essa política que Netanyahu está adotando e colocar pressão sobre ele para que cumpra a legitimidade internacional e o mapa para o caminho da paz", acrescentou Rabbo, citando um plano de paz de 2003 patrocinado pelos EUA.
Em seu discurso, Netanyahu exigiu que Jerusalém seja reconhecida como capital de Israel -- contrariando o desejo dos palestinos sobre a cidade -- e afirmou que Israel nunca irá remover os assentamentos da Cisjordânia.
A fala do premiê israelense, na qual Netanyahu pediu aos palestinos que retornem às negociações de paz com Israel imediatamente, foi vista pela Casa Branca como um "importante passo à frente" para a implementação da paz desejada por Obama. A União Europeia considerou "um passo na direção certa".
O negociador palestino Saeb Erekat disse que os mediadores devem contestar Netanyahu sobre se ele está disposto a lidar com questões territoriais, como a disputa de fronteiras, Jerusalém e os assentamentos.
"Netanyahu está falando em negociar sobre cantões -- o cantão do Estado da Palestina, com uma bandeira e um hino, um Estado sem fronteiras, sem soberania, sem uma capital", disse Erekat.
O conselheiro para Segurança Nacional de Israel, Uzi Arad, disse à Rádio Israel: "Eles (palestinos) estão dizendo isso porque perceberam que os governos anteriores (de Israel) não fizeram nenhum acordo efetivo, e não estabeleceram as condições de uma forma categórica."
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