Ataque de hackers expõe dados de cartão de crédito de 15 mil em Israel
Ação de supostos invasores sauditas desperta preocupação para risco de 'guerra cibernética'.

Empresas operadoras de cartões de crédito em Israel anunciaram nesta terça-feira que os dados de cerca de 15 mil clientes foram expostos após um ataque de hackers supostamente provenientes da Arábia Saudita a sites do país.
O vazamento desperta preocupação em Israel para os riscos de uma possível "guerra cibernética".
Durante a noite desta segunda-feira, hackers que se diziam sauditas invadiram o site One - a principal página de esportes de Israel - anunciando que haviam exposto os dados dos cartões de crédito de 400 mil israelenses e acrescentando um arquivo com os dados.
Os hackers disseram que o vazamento dos dados era um "presente de Ano Novo ao mundo" e que eles próprios costumam utilizá-los para fazer compras.
"Será um prazer ver 400 mil israelenses correndo para os bancos e reclamando que seus cartões foram roubados", anunciaram os hackers.
Depois de um exame detalhado, três empresas de cartões de crédito informaram que, ao todo, foram expostos os dados de 15 mil cartões, incluindo nomes, números de identidade, telefones e endereços dos titulares.
De acordo com a empresa, na lista publicada pelos hackers muitos dos cartões aparecem mais de cem vezes e muitos dados são incorretos.
As empresas - Isracard, Leumicard e Cal - afirmaram que já bloquearam transações online desses cartões e prometeram que os donos não arcarão com a responsabilidade por possíveis roubos em decorrência do vazamento dos dados.
'Inimigos cibernéticos'
No entanto, nesta terça-feira, milhares de israelenses tentaram, sem sucesso, entrar em contato com as empresas de cartões de crédito para verificar a situação de seus cartões.
Tanto os sites como os sistemas telefônicos das empresas não estão conseguindo responder ao grande número de chamadas.
O ministro da Ciência e Tecnologia israelense, Daniel Hershkovitz, declarou que "a internet é o novo campo de batalha".
De acordo com o ministro, "Israel irá mobilizar todas as suas capacidades científicas e tecnológicas para vencer seus inimigos na guerra cibernética".
A presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia do Parlamento, deputada Ronit Tirosh, disse que a invasão dos sites israelenses "é o começo de uma guerra cibernética que poderá paralisar a infraestrutura essencial do país".
De acordo com a deputada, existe o risco de que ataques cibernéticos danifiquem os sistemas de energia, água, comunicação e distribuição de alimentos em Israel.
Tirosh pediu que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, repasse recursos para que a Autoridade Cibernética possa tomar medidas de defesa do espaço virtual do país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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