Atenções em Honduras se voltam para comparecimento às urnas
Simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, prometem não votar no domingo.

Há dois dias das eleições gerais, as atenções em Honduras estão voltadas para o comparecimento às urnas.
Com a campanha eleitoral encerrada, a maior parte dos meios de comunicação hondurenhos, pró-governo interino, estimulam a população a comparecer às urnas.
Já a oposição prega, desde o fracasso das negociações para a restituição de Zelaya, o boicote do pleito. O principal jornal oposicionista, El Libertador, traz nesta sexta-feira a manchete No Votar! (não votem) na capa e argumenta a favor da abstenção em praticamente todas as suas 63 páginas.
O chefe da resistência contra o governo interino, Carlos Reyes, anunciou nesta sexta-feira a convocação de uma marcha para o dia das eleições, reunindo centrais sindicais, estudantes, organizações indígenas, de camponeses e políticos progressistas, todos contrários a realização da votação.
Analistas acreditam que um grande comparecimento, pelo menos maior do que os 55% registrados nas eleições de 2005, é fundamental para a legitimação do processo eleitoral e seu reconhecimento internacional.
Diversos países, entre eles o Brasil, dizem que não reconhecerão o resultado do pleito, com o argumento de que isso seria "legitimar o golpe" que tirou Manuel Zelaya do poder há seis meses.
Os Estados Unidos, entretanto, afirmaram que vão reconhecer o resultado das eleições.
'Vergonhoso'
"Não vou votar, seria dizer que o golpe (de Estado) é correto, quando é vergonhoso", disse à BBC Brasil o vendedor ambulante de pães em Tegucigalpa José Octavio, partidário de Zelaya.
Sua esposa, que varria a calçada próxima, completa que "acima de tudo, temos medo. De violência, explosões, tudo... ficaremos quietos em nossas casas".
"Acho que bem menos gente vai votar desta vez", diz o jornaleiro Pedro. "Os simpatizantes de Zelaya vão boicotar em massa as eleições."
Ele diz que não se envolveu na disputa dos últimos meses entre Zelaya e o governo do interino Roberto Micheletti, mas votará no domingo.
Congresso
Manuel Zelaya foi destituído à força da Presidência pelas Forças Armadas em junho e enviado ao exterior.
A medida foi apoiada pelo Congresso e pela Suprema Corte que o acusaram de violar a Constituição e de se recusar a cumprir a determinação judicial para suspender um plebiscito sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte.
A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.
Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.
Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.
Na quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito.
Muitos países consideravam a volta de Zelaya ao poder como pré-requisito para a legitimidade das eleições.
Na última quarta-feira, Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.
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