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Atentado contra santuário xiita mata ao menos 54 no Afeganistão

Ataque parece ter sido uma ação sectária, algo incomum no país nos últimos anos

06 de dezembro de 2011 | 7h 38
Reuters

Atualizado às 10h10

Afeganistão ainda enfrenta problemas com a violência sectária - Musadeq Sadeq/AP
Musadeq Sadeq/AP
Afeganistão ainda enfrenta problemas com a violência sectária

CABUL - Um atentado suicida contra um santuário muçulmano xiita no centro da capital do Afeganistão, Cabul, matou pelo menos 54 pessoas num momento em que centenas de fiéis estavam reunidos para o festival da Ashura. O ataque parece ter sido uma ação sectária, algo incomum no país nos últimos anos.

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Sayed Kabir Amiri, responsável pelos hospitais em Cabul, afirmou que 54 pessoas morreram na explosão e outras 160 focaram feridas. Ele ainda afirmou que o número de vítimas pode aumentar.


O Afeganistão tem um histórico de violência e tensão entre os muçulmanos sunitas e a minoria xiita, mas desde a destituição do Taleban do poder não têm ocorrido ataques sectários em larga escala como os que abalam o vizinho Paquistão.

Pouco depois do atentado em Cabul, uma bomba deixada numa bicicleta explodiu perto da principal mesquita da cidade de Mazar-i-Sharif, matando quatro pessoas e ferindo 17.

O festival xiita da Ashura relembra o martírio do neto do profeta Maomé, Hussein, na batalha de Kerbala, no Iraque, no ano de 680. Esse é o maior evento no calendário religioso dos xiitas.

Os xiitas são cerca de 20% da população afegã, que soma 30 milhões de pessoas, a maioria pertencente à etnia hazara. Embora milhares de hazaras tenham sido massacrados pelo Taleban durante a década de 1990, insurgente afegãos - quase todos sunitas - mantiveram o foco de suas ações nas forças militares estrangeiras e nas tropas nacionais.

Repercussão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que o ataque não tem precedentes, uma vez que "é a primeira vez que, em um dia religioso de tamanha importância no Afeganistão, ocorre um ato horrível terrorista". As declarações foram feitas durante uma conferência com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Mohammad Bakir Shaikzada, o mais importante clérigo xiita da capital, disse não lembrar de ataques similares. "Isso é um crime contra os muçulmanos durante o dia da Ashura. Nós não vamos nos esquecer desses ataques nunca. São os inimigos dos muçulmanos que estão fazendo isso", afirmou, sem acusar indivíduos ou organizações.

O Taleban condenou os ataques em Cabul, afirmando tratar-se de um ato brutal de "inimigos" do Afeganistão. "Infelizmente ouvimos que houve explosões em Cabul e Mazar-i-Sharif, onde as pessoas foram mortas por ações desumanas e anti-islâmicas", disse Zabihullah Mujahid, um porta-voz do grupo, em comunicado.