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Banco Mundial alerta para crise sanitária na Faixa de Gaza

Organização ressalta falta de água potável e de sistema de saneamento básico no território palestino

07 de janeiro de 2009 | 10h 01
Agências internacionais

 O Banco Mundial afirmou nesta quarta-feira, 7, que há sinais de uma grande crise no sistema público de saúde em Gaza por conta da escassez de água potável e do sistema de saneamento básico no território palestino. O organismo pediu para que o governo israelense, que lidera uma campanha militar há 12 dias contra o grupo islâmico Hamas, que permita a entrada de combustível suficiente em Gaza para os trabalhos das 170 estações de água e esgoto e que restaure o fornecimento regular de eletricidade, para que assim seja reduzida a dependência de combustível para os geradores.   Veja também: Israel e Hamas estudam proposta de trégua Hezbollah: 'Opções estão abertas contra Israel'  Ataques param por 3 horas para ajuda humanitária  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Brasileiros que vivem em Gaza não querem sair  Brasileiros que vivem na região falam sobre o conflito 

Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  TV Estadão: as consequências do conflito em Gaza  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        As Nações Unidas receberam cerca de US$ 30 milhões em fundos emergenciais para a Faixa de Gaza. Documentos publicados nesta quarta-feira no site da organização mostram que o governo norte-americano é o principal doador, com US$ 5 milhões para o trabalho humanitário na Faixa de Gaza. Outros US$ 32 milhões já foram prometidos, porém ainda não entregues por vários doadores. As agências da ONU ampliaram suas operações em Gaza, com a intenção de diminuir o sofrimento da população local.  

Crianças buscam água potável na Faixa de Gaza. Foto: Reuters     Os hospitais estão lotados. A ONU e o Crescente Vermelho dizem que faltam remédios e material para atender aos mais de 2.900 feridos nos ataques de Israel. A ajuda humanitária que tem entrado pela fronteira israelense não é considerada suficiente. O Egito mantém a sua passagem com Gaza fechada. Pelo menos 670 pessoas morreram desde o início dos confrontos, em 27 de dezembro, e segundo fontes da ONU e palestinas, cerca de 300 vítimas são civis - 130 delas menores de 16 anos.   Israel anunciou que fará pausas diárias de três horas nos bombardeios na Faixa de Gaza a partir desta quarta-feira. O anúncio veio depois da decisão de Israel de aceitar a criação de um corredor para permitir o envio de suprimentos ao território palestino, onde vivem 1,5 milhão de palestinos. Mas autoridades israelenses disseram também que o governo está discutindo uma ampliação da ofensiva iniciada há 12 dias, sob a justificativa de conter os disparos de foguetes de militantes islâmicos contra o território do Estado judeu.   Funcionários palestinos em Gaza disseram ter sido informados por Israel de que esse horário deve ser usado para que o comércio funcione e para que funerais sejam realizados. Agências humanitárias alertam para as crescentes dificuldades enfrentadas pelos 1,5 milhão de habitantes do território.   O Exército de Israel matou na terça ao menos 30 palestinos - algumas fontes falam em 42 - que estavam em uma escola da ONU na Faixa de Gaza. Este foi o mais violento ataque contra o território desde o início do conflito. Muitas das vítimas da ação de eram crianças que tinham sido levadas para a escola justamente por ser considerada um abrigo seguro que não seria alvo de ataques israelenses. O governo de Israel lamentou as mortes, mas afirmou que a culpa do ataque era do Hamas, que, segundo os israelenses, usa civis como escudo humano.   A ONU condenou Israel, afirmando que havia fornecido para o Exército israelense as coordenadas geográficas exatas da escola, onde 350 pessoas estavam abrigadas. Segundo a ONU, cerca de 15 mil palestinos buscaram refúgio em 23 escolas da entidade em Gaza. Horas antes, Israel havia atacado outra escola da ONU no território palestino, matando três pessoas. Apenas nas operações de ontem, foram confirmadas as mortes de 77 palestinos.   Oficiais da ONU afirmaram nesta quarta-feira, 7, que não haviam militantes palestinos na sua escola que foi bombardeada pela forças israelenses, onde morreram 40 pessoas, segundo disse à CNN um porta-voz da organização. Chris Gunness, da Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), disse ainda que aguarda por uma "investigação imparcial" sobre o incidente.