Bastião da oposição síria vive 'pior ataque' desde início de levante
Cidade de Homs amanheceu sob artilharia pesada. Soldados deixam o Exército e se juntam aos rebeldes.

A cidade de Homs sofreu, nesta segunda-feira, "o pior ataque" por parte do regime de Bashar al Assad desde o início da revolta popular na Síria, em março do ano passado.
A afirmação é do correspondente da BBC na cidade, Paul Wood. Enquanto escrevia seu relato, o repórter disse que "as janelas da casa" onde estava "ainda tremiam sob o impacto de projeteis e morteiros", lançados pelo Exército sírio.
Só nesta terça-feira, dezenas de pessoas morreram no país, segundo grupos de direitos humanos. A contagem não teve verificação independente porque a imprensa estrangeira sofre limitações para trabalhar no país.
A cidade vem sendo alvo de ataques das tropas do governo há vários dias. Os rebeldes afirmam ainda que os ataques do governo alvejaram um hospital de campanha, que vinha atendendo os feridos nos confrontos dos últimos dias. Segundo eles, o governo estaria usando também tanques e helicópteros nos ataques.
Segundo Wood, alguns combatentes rebeldes respondem aos ataques com tiros de armas automáticas, "um gesto fútil", tendo em vista a superioridade bélica das forças do governo.
A TV estatal síria afirmou que "gangues terroristas" explodiram edifícios em Homs. Também responsabilizando "terroristas", a agência estatal de notícias Sana afirmou que um oleoduto próximo à cidade foi atingido por uma explosão nesta segunda-feira.
A mídia oficial síria e grupos rebeldes também relatam confrontos nas cidades de Idlib, no norte do país, e Zabadani, a noroeste de Damasco.
O governo diz estar combatendo grupos armados que têm apoio estrangeiro. Milhares de ex-soldados desertaram para o lado rebelde, para formar o autodenominado Exército da Síria Livre.
Embaixada americana
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira o fechamento de sua embaixada em Damasco por questões de segurança.
O Departamento de Estado argumentou que havia ameaças de um assalto armado à embaixada e que não houve resposta adequada por parte das autoridades sírias.
Na última semana, o governo americano voltou a defender a saída de Assad do poder. A Casa Branca também tentou impor, por meio do Conselho de Segurança da ONU, uma rodada de sanções ao regime de Assad, mas a proposta foi barrada por China e Rússia.
Resolução da ONU
Ainda nesta segunda-feira, a Rússia e a China defenderam seus vetos à proposta de resolução na ONU para condenar a Síria.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que apoiar a resolução é o mesmo que tomar um dos lados em uma guerra civil.
Lavrov deve viajar a Damasco na terça-feira para encontros com o presidente Assad.
Já o ministro das Relações Exteriores da China disse que há muitas diferenças entre os integrantes do Conselho de Segurança em relação à Síria, e que uma resolução só pioraria a situação no país.
A oposição síria diz que o veto do sábado vai estimular o governo a agir sem moderação.
Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, mais de 7 mil pessoas já foram mortas pelas forças de segurança sírias desde o início do levante, em março do ano passado.
A ONU parou de contabilizar suas estimativas de mortes na Síria após elas terem ultrapassado as 5,4 mil, alegando dificuldade em confirmar os números.
O governo diz que pelo menos 2 mil membros das forças de segurança foram mortos em combates com "gangues armadas e terroristas". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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