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Bird culpa biocombustível por preço de alimentos, diz jornal

04 de julho de 2008 | 15h 36
REUTERS

Os biocombustíveis respondem por 75 por

cento do aumento nos preços dos alimentos, bem mais do que

estimado anteriormente, segundo um relatório confidencial do

Banco Mundial publicado nesta sexta-feira pelo jornal britânico

The Guardian.

A avaliação se baseia em uma análise detalhada do

economista Don Mitchell, que é respeitado internacionalmente e

integra o corpo financeiro do banco, sediado em Washington.

O porcentual contraria estimativas do governo dos Estados

Unidos de que combustíveis derivados de plantas respondem por

menos de 3 por cento dos aumentos de preços de alimentos, diz o

jornal.

A avaliação vai aumentar a pressão sobre os governos em

Washington e na Europa, os quais se voltaram para os

biocombustíveis para reduzir emissões de gás do efeito estufa e

diminuir sua dependência do petróleo importado.

Em razão do feriado do Dia da Independência nos Estados

Unidos, a informação do Guardian não pôde ser imediatamente

confirmada.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, tem dito

que os biocombustíveis são um "contribuinte significativo" para

o aumento nos preços dos alimentos.

Recentemente, ele escreveu no jornal Financial Times que o

uso de milho para produção de etanol nos EUA havia consumido

mais de 75 por cento do aumento da produção mundial de milho

nos últimos três anos e pediu que os EUA e a Europa reduzissem

os subsídios sobre biocombustíveis derivados de milho e

sementes oleaginosas.

"O uso de milho para etanol consumiu mais de 75 por cento

do aumento na produção mundial de milho nos últimos três anos",

escreveu ele. "Os legisladores deveriam considerar 'válvulas de

segurança' que atenuem essas políticas quando os preços

estiverem altos."

O Guardian disse que fontes de alto escalão acreditam que o

relatório, finalizado em abril, não foi publicado para evitar

constrangimentos para o presidente dos EUA, George W. Bush.

"Colocaria o Banco Mundial em uma situação de mal-estar

político com a Casa Branca", disse a fonte.

PROTESTOS

Lideres do Grupo dos 8 (as principais nações

industrializadas) se reúnem na semana que vem no Japão, onde

discutirão a crise alimentar e estarão sob intensa pressão de

ativistas em campanha por uma moratória no uso de combustíveis

derivados de plantas.

Os preços em alta dos alimentos empurraram 100 milhões de

pessoas em todo o mundo para abaixo da linha de pobreza e

desencadearam protestos em países como Bangladesh e Egito.

Bush relacionou os altos preços dos alimentos à maior

demanda na Índia e China, mas o estudo do Banco Mundial diz: "O

rápido aumento da renda em países em desenvolvimento não levou

a grande expansão no consumo de grãos e não foi um fator

importante responsável pelo grande aumento de preços."

Mesmo as sucessivas secas na Austrália tiveram um impacto

marginal. Mas o relatório diz que a política dos EUA e da União

Européia de incentivo aos biocombustíveis teve o maior impacto

no suprimento de alimentos e nos preços.

"Sem o aumento dos biocombustíveis, o trigo e os estoques

de milho não teriam declinado de modo significativo e as

elevações de preços causadas por outros fatores teriam sido

moderadas", assinala o relatório.

O grupo de preços de alimentos avaliado no estudo aumentou

até 140 por cento entre 2002 e fevereiro de 2008. O relatório

estima que os preços mais altos da energia e dos fertilizantes

respondam por apenas 15 por cento dessa alta enquanto os

biocombustíveis são responsáveis por um salto de 75 por cento

nesse período.

(Reportagem adicional de Lesley Wroughton em Washington)



Tópicos: ALIMENTO, BIRD, PRECOS