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Bolívia nacionaliza mais quatro empresas de energia

01 de maio de 2008 | 17h 54
REUTERS

A Bolívia nacionalizou na quinta-feira

quatro empresas energéticas, sendo três por decreto e uma num

acordo com a espanhola Repsol.

A estatal local YPFB pagou à Repsol 6,3 milhões de dólares

pelo controle acionário da Repsol Andina, uma das maiores

empresas de energia da Bolívia.

O anúncio ocorre exatamente dois anos depois de o

presidente esquerdista Evo Morales ter lançado o programa de

nacionalização do gás e do petróleo. Na quinta-feira, o

presidente esquerdista decretou a estatização do controle da

Chaco (até então pertencente às empresas BP e Pan American

Energy) e da Transredes (que administra gasodutos e pertencia à

Ashmore Energy).

As negociações entre o governo e as empresas não levaram a

um acordo, e não está claro ainda quanto o governo vai pagar

por elas.

Em um anúncio publicado na imprensa, o governo anunciou

também ter completado a aquisição da empresa CLHB, de

armazenamento e transporte de combustíveis, que pertencia a

grupos da Alemanha e Peru.

A Bolívia tem a segunda maior reserva sul-americana de gás

natural, depois da Venezuela, e fornece o produto para Brasil e

Argentina.

Pelo acordo assinado no Palácio Quemado (sede do governo),

a YPFB agora controla 51 por cento da Andina e dividirá a

administração com a Repsol.

A Repsol possuía 50,0024 por cento das ações da Andina e

vendeu 1,08 por cento à Bolívia por 6,3 milhões de dólares.

A Andina explora 18 pequenos campos de petróleo e gás, além

de possuir metade de dois grandes campos de gás natural, o San

Antonio e o San Alberto, que são operados pela Petrobras.

"Este contrato significa um maior entendimento entre os

dois países, Espanha e Bolívia", disse Morales, repetindo mais

uma vez que seu país procura parceiros para desenvolver o setor

energético, e não para ser donos dos recursos.

A Repsol tem outras empresas energéticas na Bolívia além da

Andina.

A Chaco, a Transredes e a Andina foram criadas quando a

YPFB privatizou a maior parte das suas operações, em 1996. As

empresas estrangeiras assumiram 50 por cento das ações e o

respectivo controle administrativo. O resto das ações ficou na

mão de fundos estatais de pensão, recentemente reincorporados

ao patrimônio da YPFB.

A Chaco opera 22 campos de petróleo e gás e investe em

projetos destinados a aumentar a exportação de gás para a

Argentina.

A Transredes controla a parte boliviana do gasoduto Santa

Cruz-São Paulo, por onde passam diariamente 30 milhões de

metros cúbicos de gás distribuídos no Brasil. A empresa também

opera alguns gasodutos internos.

(Reportagem de Carlos Quiroga)



Tópicos: BOLIVIA, NACIONALIZACAO