Bolívia pede à Unasul que apure repressão a manifestação indígena
Governo diz saber quem foi o responsável por ordenar intervenção, mas aguardará investigação
LA PAZ - O governo boliviano confirmou nesta quinta-feira, 29, que convidou a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para integrar a comissão que investigará a repressão policial contra a marcha indígena que se opõe a uma estrada que está sendo construída por uma empresa brasileira numa reserva indígena.

O vice-presidente Álvaro García Linera disse que o governo já sabe quem foi o responsável pela ordem para atacar os manifestantes, mas vai esperar pela investigação da comissão.
O governo ainda suspendeu o depoimento de dois dos três ministros convocados para prestar declarações hoje no Parlamento. Os ministros da Presidência, Carlos Romero, e de Obras Públicas, Walter Delgadillo, integram as negociações com povos guaranis e não poderiam se ausentar do processo. Não foi confirmado o cancelamento do depoimento do novo ministro de Interior Wilfredo Chávez. Seu antecessor, Sacha Llorenti, renunciou na segunda-feira depois de responsabilizar seu vice, Marcos Farfán, que negou envolvimento na repressão e se demitiu.
Os índios marcham desde agosto em protesto pela construção da estrada que dividirá o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), obra da empresa brasileira OAS, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na quinta, os índios confirmaram que vão retomar a marcha até La Paz nos próximos dias.
A repressão causou uma onda de manifestações contra o presidente Evo Morales e desatou uma crise em seu gabinete. Além de Llorenti, a ministra da Defesa Cecilia Chacón pediu demissão e criticou o uso da violência.
Na noite de quarta-feira, Evo pediu perdão aos indígenas e prometeu descobrir quem são os responsáveis pela ordem dada aos policiais para atacar os manifestantes "sem discriminar crianças, mulheres, idosos e homens que se preparavam para jantar na noite de domingo".
Pesquisas indicam a queda de popularidade de Evo, reeleito em 2009 com 64% dos votos. Segundo sondagem do instituto Ipsos Apoyo, divulgada antes do ataque contra a marcha indígena, o índice de aprovação tinha caído para 37% - o segundo menor desde o início do ano. Em fevereiro, chegou a 32% depois dos protestos contra o aumento do preço da gasolina. A reprovação do presidente é de 51%.
Manifestações em massa provocaram a saída dos presidentes bolivianos Gonzalo Sánchez de Lozada (2003) e Carlos Mesa (2005).
Siga o @EstadaoInter no Twitter
- 01 Serra chama de 'lixo' livro sobre ...
- 02 Obama dá sinal verde a sanções contra ...
- 03 Governo já discute redução de superávit ...
- 04 Montadoras fazem feirões para baixar ...
- 05 Assessor da Comissão da Verdade defende ...
- 06 ‘Estado’lança site e aplicativo para ...
- 07 Para ruralistas, veto ao Código Florestal ...
- 08 Cachoeira fica calado e CPI antecipa fim de ...
- 09 Crise atual pode ser pior que a Grande ...
- 10 Cliente não entende desconto e mercado para
Grupo Estado
- Copyright © 1995-2012
- Todos os direitos reservados








