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Brasil financia mais US$ 290 milhões para Cuba ativar seu principal porto

Ao anunciar nova ajuda à ilha socialista para criar ‘Zona de Desenvolvimento Especial’ no Porto de Mariel, Dilma diz que pretende fazer do País um ‘parceiro de primeira ordem’ de Havana e tem ‘orgulho’ da boa relação

27 de janeiro de 2014 | 13h 35
Vera Rosa, Enviada Especial / Havana

(Atualizada às 23h30) HAVANA - A presidente Dilma Rousseff anunciou na segunda-feira, 27, em Havana, que o Brasil financiará mais US$ 290 milhões ao governo cubano para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel e disse ter "orgulho" em se associar ao país. O novo crédito vai se somar aos US$ 802 milhões já emprestados até agora à ilha, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Obra da Odebrecht custou quase US$ 1 bilhão - Alejandro Ernesto/EFE
Alejandro Ernesto/EFE
Obra da Odebrecht custou quase US$ 1 bilhão

Ao lado do presidente de Cuba, Raúl Castro, Dilma participou da inauguração da primeira etapa do porto e chamou de "injusto" o bloqueio imposto pelos EUA. "O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba", afirmou a presidente (mais informações nesta página). "Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe. Somente com Cuba nossa região estará completa."

Para Dilma, a realização da 2.ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac) em Havana, a partir de hoje, "evidencia a importância" da ilha no processo de integração regional. Dos US$ 957 milhões orçados para a construção do Porto de Mariel, situado a 45 km de Havana, o BNDES acertou com o governo cubano que pelo menos US$ 802 milhões devem ser gastos no Brasil, na compra de bens e serviços.

Dilma conversou no domingo à noite com representantes do setor farmacêutico. Ela quer que empresas brasileiras de medicamentos também se instalem em Mariel. Nos bastidores, a presidente servirá de interlocutora para atrair investimentos para Cuba. "Nós agradecemos à presidente Dilma pela contribuição solidária a um projeto fundamental para a economia nacional", disse Raúl.

A ampliação do crédito em mais US$ 290 milhões já foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e espera garantias. Deste total, 85% serão financiados pelo BNDES e 15% terão contrapartida de Havana.

O assunto foi tratado durante reunião reservada mantida por Dilma com Raúl, no Palácio da Revolução, sede do governo. Ela foi recebida pela Guarda de Honra, passou as tropas em revista e apresentou a Raúl sua comitiva, composta pelos ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Helena Chagas (Comunicação), Alexandre Padilha (Saúde) e Alexandre Chioro, futuro titular da Saúde. A reunião foi seguida por almoço. No cardápio, perna de cabrito, recheada com queijo feta, e acompanhamento de aspargos. De sobremesa, musse de maçã com merengue.

Dilma expôs a Raúl os planos de parceria e disse que sua intenção é aumentar o fluxo comercial entre os dois países. De 2006 a 2013 o superávit para o Brasil, no comércio com a ilha, cresceu 38,2%, alcançando US$ 431,6 milhões. "Financiamos nessa primeira etapa (de construção do Porto de Mariel), por meio do BNDES, US$ 802 milhões em bens e serviços e envolvemos cerca de 400 empresas brasileiras nesse processo. Na segunda etapa, vamos financiar US$ 290 milhões para implantação da Zona de Desenvolvimento, que se tornará peça chave do desenvolvimento econômico cubano", disse Dilma, durante a cerimônia de inauguração do porto caribenho.

ESPERA

Mariel está em posição estratégica, de frente para a Flórida, nos EUA. Na prática, empresas brasileiras começam a apostar no negócio confiantes no avanço das reformas adotadas na ilha, batizadas pelo governo cubano como "atualização do modelo econômico". A privatização dos serviços de táxi foi a mais recente medida de uma lista que inclui incentivo a pequenos negócios e a unificação da moeda.

Um decreto baixado por Raúl em setembro flexibilizou a estrutura de capital em Mariel. Na tentativa de atrair investidores estrangeiros, o governo de Cuba promoveu mudanças no regime comunista e decidiu adotar a receita chinesa: empresas estrangeiras que se instalarem estarão submetidas a lei trabalhista e bancária diferenciadas. Uma companhia de Cingapura administrará o porto cubano.






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