Brasil 'se equivoca' ao chamar embaixador, diz Correa
A medida foi tomada quando país pediu uma arbitragem em um caso envolvendo um empréstimo do BNDES
O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que o Brasil "está se equivocando" ao convocar o embaixador em Quito para consultas. A medida foi tomada pelo País após o governo equatoriano anunciar que pediu uma arbitragem em um caso envolvendo um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma hidrelétrica realizada pela construtora brasileira Odebrecht no Equador. Veja também: Camargo Corrêa pode assumir tarefas da Odebrecht, diz Correa
"O que o Brasil fez não tem nenhuma sustentação legal, não tem pé nem cabeça. Respeitamos, mas não compartilhamos e lamentamos profundamente essa atitude", declarou Correa em seu programa de rádio e televisão.
Para o líder equatoriano, seu país não precisa pedir desculpas nem dar explicações sobre o caso. O Equador pediu arbitragem sobre o contrato de empréstimo na Câmara de Comércio Internacional, na França. Quito já disse que seguirá pagando a dívida, enquanto não houver resultado na ação.
Um crédito de US$ 286 milhões foi dado pelo BNDES para o financiamento da hidrelétrica San Francisco, construída pela Odebrecht no Equador. Meses após inaugurada, a obra apresentou problemas e a hidrelétrica teve que ser paralisada para os reparos. O governo equatoriano não chegou a um acordo com a Odebrecht e acabou expulsando a empresa do país, acusando-a inclusive por corrupção. A Odebrecht nega qualquer irregularidade.
Após saber em evento público, sem prévia notificação, que Correa pedira a arbitragem, o governo brasileiro convocou o embaixador Antonino Marques Porto para consultas. Correa sustentou que "o Equador fez o certo". "Enquanto eu for presidente, o Equador não pedirá permissão a ninguém para exercer sua soberania, para defender seus interesses, para exercer seus direitos."
O presidente equatoriano disse que o Brasil transformou um problema comercial em "conflito diplomático". Ele lembrou que a Petrobras realizou um pedido de arbitragem em um contrato com o Equador e não houve nenhum problema diplomático. "Agora que o Estado equatoriano leva à arbitragem um caso clamoroso que afeta o país, ficaram bravos", disse Correa. "Já basta. Deixemos esses complexos, não somos menos que ninguém, não temos que pedir permissão a absolutamente ninguém. O Equador fez o certo." As informações são de agências internacionais.
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