Brasileiro morreu durante incêndio em Honduras, confirma embaixada
Além do brasileiro, identificado como Abílio Gomes Sobral, outros três estrangeiros morreram
Atualizado às 19h04.

COMAYAGUA - Um brasileiro está entre os quatro estrangeiros mortos no incêndio que atingiu na madrugada de quarta-feira o Presídio Nacional de Comayagua, em Honduras. Além dele, morreram um mexicano, um salvadorenho e um guatemalteco.
Segundo a Embaixada do Brasil em Honduras, a vítima se chama Abílio Gomes Sobral. Os motivos de sua prisão, idade e filiação ainda são desconhecidos.
"Eu recebi um telefonema durante a madrugada da chancelaria hondurenha informando da morte de um brasileiro no incêndio", disse o embaixador Zenik Kractsch ao Estado. "Nós desconhecemos o motivo pelo qual ele foi preso. Estamos esperando."
De acordo com o diplomata, a embaixada fez no final de dezembro um levantamento com as autoridades hondurenhas para saber se havia algum brasileiro detido nos 24 estabelecimentos prisionais hondurenhos. A resposta foi negativa
"Há de se entender que o sistema carcerário hondurenho não é perfeito", explicou o embaixador. "Não há integração entre as unidades e pode ter havido falha de registro ou de comunicação."
Segundo a polícia hondurenha, ao menos 355 dos 852 detentos da cadeia morreram após um dos presos atear fogo a um colchão em uma cela.
Ontem, os corpos foram transferidos para um necrotério em Tegucigalpa, onde serão identificado com o auxílio de legistas chilenos e salvadorenhos. Em razão do alto grau de carbonização dos corpos, o processo será feito com exames de arcada dentária e de DNA.
Do lado de fora do necrotério, familiares dos detidos faziam vigília à espera de novidades. Alguns deles dormiram em frente ao prédio. "Quero ver meu filho, nem que seja pela última vez", disse Rosa Albina Martínez, mãe de uma vítima, ao jornal La Prensa.
"Quero saber que horas vão trazê-lo. Digam-me!"
As 24 prisões de Honduras, com capacidade para 4 mil detentos, abrigam mais de 8 mil. O presídio atingido pelo incêndio, estava com a lotação dobrada. Segundo o governo, no entanto, a cadeia de Comayagua era um "modelo" para o país.
Honduras tem 80 homicídios para cada 100 mil habitantes, a taxa mais alta do mundo, segundo a ONU. O país sofre também com a ação de gangues e de narcotraficantes.
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