Brown diz que não se importaria em deixar governo britânico
Premiê confessa estar 'abalado' com ataques de partidários, mas afirma que não lamentaria em saísse do cargo
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, confessou estar "abalado" com os ataques dos deputados trabalhistas que questionam sua liderança, e assegura que não sente apego ao poder e que não lamentaria sair amanhã mesmo de Downing Street. Em entrevista publicada neste sábado, 20, pelo jornal The Guardian, Brown reconhece que a recente crise pela qual seu governo passou, na qual parlamentares trabalhistas rebeldes tentaram forçar sua renúncia, foi o pior momento de sua carreira política.

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Apesar da reticência em satisfazer os desejos dos opositores, o líder trabalhista revela que não é apegado ao poder: "Para ser honesto, poderia abandonar tudo isto amanhã", afirmou. "Não estou interessado no que acompanha o poder. Não ficaria preocupado se nunca retornasse a lugares como Downing Street ou Chequers (residência de campo do primeiro-ministro)", diz Brown, em entrevista concedida após a rebelião trabalhista e a crise do Trabalhismo nas recentes eleições locais e europeias.
"Isso não me preocuparia em absoluto. E provavelmente seria bom para meus filhos", acrescentou. Caso deixe o governo, o líder trabalhista deixa entender que poderia se dedicar ao ensino, atividade que descreve como uma "grande profissão."
Além disso, Brown admite que tem dificuldades na hora de projetar sua imagem e passar suas mensagens em público: "Não sou tão bom apresentador de informação ou comunicador como eu gostaria". No entanto, o premiê britânico acredita que o Partido Trabalhista ainda pode vencer as próximas eleições gerais, previstas para junho de 2010, no máximo, sob sua liderança.
O primeiro-ministro baseia essa convicção em sua esperança de que, nos próximos meses, começarão a dar resultados as medidas adotadas para enfrentar a recessão econômica e a crise do escândalo do abuso do gasto parlamentar. No entanto, as pesquisas de intenção de voto apontam a vitória do líder do opositor Partido Conservador, David Cameron.
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