Burcas não têm lugar na França, diz Sarkozy
Presidente francês diz que hábito muçulmano não será benvindo no país e anuncia reestruturação ministerial
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, criticou nesta segunda-feira, 22, o uso da burca pelas mulheres muçulmanas, insistindo que a vestimenta representa uma "humilhação" para as mulheres e que o hábito não será benvindo em seu país.

Em discurso proferido perante o plenário do Parlamento francês, Sarkozy alegou que o uso da burca não tem a ver com religião, mas como a liberdade e a dignidade das mulheres. Segundo Sarkozy, a burca é "um sinal de subserviência, um sinal de humilhação" e "não será benvindo no território da República Francesa".
"A burca não é um símbolo religioso, é um símbolo da subjugação, da subjugação das mulheres. Quero dizer solenemente que não será bem-recebida em nosso território", afirmou, recebendo fortes aplausos.
Numa iniciativa multipartidária, 60 parlamentares propuseram a uma comissão parlamentar que examine a disseminação da burca e encontre meios de combater a tendência. Referindo-se a essa proposta, Sarkozy disse que é a maneira correta de proceder. O líder francês, no primeiro discurso de um presidente em sessão conjunta da Câmara e do Senado em 136 anos, manifestou apoio à proposta.
"Tem de haver um debate e todas as posições têm de ser apresentadas. Que melhor lugar para isto do que o Parlamento? Eu digo a vocês: não temos de nos envergonhar de nossos valores, não temos de ter medo de defendê-los", disse ele.
Críticos da proposta, entretanto, advertem que a questão é marginal pode acabar por estigmatizar os muçulmanos na França.
Reestruturação
Sarkozy também anunciou diante de senadores e deputados que realizará na quarta-feira, 24, uma reestruturação em seu gabinete. A hipótese considerada pela imprensa é a de uma reforma reduzida, com um mínimo de trocas, para satisfação do primeiro ministro francês, François Fillon.
Segundo um alto funcionário do grupo de apoio a Sarkozy, o presidente se sente fortalecido com o resultado das eleições europeias, que deram uma ampla margem à coalizão de direita que o sustenta e, em consequência, não veria interesse em proceder a uma grande troca da equipe ministerial.
A única certeza é que deve substituir os ministros da Justiça, Rachida Dati, e da Agricultura, que foram eleitos como deputados europeus.
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