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Calderón admite aumento da violência do narcotráfico no México

Presidente atribui problema a guerra entre cartéis de droga e presença do Exército nas ruas

02 de setembro de 2010 | 18h 07
Efe

CIDADE DO MÉXICO- O presidente do México, Felipe Calderón, admitiu nesta quinta-feira, 2, que a violência do crime organizado aumentou no último ano e atribuiu o problema a uma guerra cada vez mais violenta entre os cartéis de droga.

Calderón discursa no Congresso - Alexandre Meneghini/AP
Alexandre Meneghini/AP
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"Isto é produto, principalmente, do crime organizado em sua disputa por territórios, mercados e rotas, disse o presidente durante um discurso devido ao Quarto Informe do Governo - documento que o Executivo entregou ao Congresso hoje.

Para Calderón, o aumento da violência também é causado pela "presença decidida das forças do Estado e a captura ou abatimento de importantes líderes criminosos, que gerou desespero e instabilidade nessas organizações", o que, segundo o presidente, provocou rupturas nos grupos.

O governante também pediu a centenas de legisladores, políticos e governadores que o combate contra o crime organizado deixe de ser uma luta do governo e do presidente e passe a ser uma tarefa de todo o Estado e a sociedade.

"Esta não deve ser uma luta do presidente da República somente, nem sequer de um governo, mas sim parte de uma política de Estado, que, como tal, corresponda às três ordens do governo, e aos três poderes públicos, aos meios e a toda sociedade, cada qual no âmbito de sua responsabilidade".

"Enfrentamos, como sabemos, criminosos sem escrúpulos, com uma enorme capacidade econômica e grande poder de fogo que não se dedicam somente ao narcotráfico, mas sim a toda atividade que os permita se apoderar de qualquer renda legal ou ilegal", disse Calderón.

Em sua opinião, a "barbárie" cometida no fim de agosto ,quando 72 imigrantes de várias nacionalidades foram assassinados no noroeste do país, "é uma expressão desta diversificação criminosa".

O governante admitiu que "por desgraça", os crimes como roubo, sequestro e extorsão "cresceram preocupantemente". "Hoje a delinquência é a principal ameaça à paz, à segurança e à liberdade dos mexicanos, dos meios de comunicação, das instituições democráticas", disse.

A luta pela segurança "é uma causa que deve estar acima de interesses particulares, ideologias ou partidos. Devemos entender que o inimigo comum dos mexicanos são os criminosos e não a autoridade que os combate", defendeu.

Guerra de Calderón

No México, é comum que a oposição se refira à luta contra o crime organizado como "a guerra de Calderón" e que os protestos contra a violência sejam feitos contra a presença do Exército e das autoridades nas ruas.

Para Calderón, é indispensável continuar com a mobilização militar nas ruas, depois que em três anos e meio os cartéis perderam drogas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

Segundo o governo, as autoridades confiscaram 34.000 veículos, 500 aviões, 365 barcos, 85.000 armas, 6.300 granadas, e prenderam ou mataram 125 líderes e chefes regionais do narcotráfico, e 5.108 sicários (matadores de aluguel).

Desde que Calderón assumiu o poder e declarou guerra contra o narcotráfico, em dezembro de 2006, mais de 28 mil pessoas morreram pelas mãos do crime organizado.