Câmara argentina aprova imposto para exportações agrícolas
Apertada vitória de Cristina Kirchner mostra que ela não conta mais com confortável hegemonia de meses atrás
A presidente Cristina Kirchner obteve neste sábado, 5, uma apertada vitória no Parlamento ao conseguir a aprovação na Câmara dos Deputados de seu polêmico projeto de lei sobre os aumentos aplicados aos impostos das exportações agropecuárias. O projeto foi aprovado após 17 horas de intensos debates por 128 votos contra 122, resultado que mostra que Cristina e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner - embora vencedores - não contam mais com a confortável hegemonia de meses atrás. A aprovação foi festejada aos gritos pela bancada governista como se fosse uma final da Copa do Mundo. Os aumentos tributários foram o pivô de uma crise sem precedentes entre Cristina e os ruralistas, que desde março realizaram quatro locautes contra o governo. Após a votação, os ruralistas, apoiados pelos partidos da Oposição, anunciaram que o governo não deve cantar vitória e ameaçam novos protestos. O líder da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, fez uma metáfora futebolística: "este é o primeiro tempo (a votação na Câmara). Depois, vem o segundo (em alusão ao Senado). E ainda temos os pênaltis (no caso de apelo à Corte Suprema)". Outras lideranças ameaçaram realizar novos locautes e panelaços contra Cristina. O projeto - que teve leves modificações de última hora, de forma a agradar os pequenos agricultores - ainda precisa passar pelo Senado, onde será votado nos próximos dias. Com o projeto, o governo garantirá um superávit fiscal que lhe permitirá enfrentar os pagamentos da dívida pública, a distribuição de fundos para as províncias com governadores alineados à presidente, além de programas assistencialistas que servem de sustento à base eleitoral dos Kirchners. Os analistas afirmam que, para a presidente, o resultado no Parlamento foi uma "Vitória de Pirro". Isto é, embora vencedora, os custos de ter conseguido a aprovação implicaram em uma substancial redução de seu poder político (dezenas de deputados afastaram-se do governo e organizam grupos dissidentes), além da disparada da inflação, a paralisação de investimentos e a redução do consumo. De quebra, por causa do conflito com os ruralistas, a popularidade de Cristina despencou. Ela também perdeu o apoio de vários governadores, além de enfrentar uma postura rebelde por parte de seu outrora pacato vice-presidente, Julio Cobos. Brasil Ao longo do debate, deputados da Oposição, citaram o Brasil como exemplo de potência agrícola cuja política de apoio aos produtores deveria ser imitada. "Temos que seguir o Brasil, a locomotiva do Mercosul. Senão, estaremos perdendo a oportunidade", sustentou Oscar Aguad, da União Cívica Radical.
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