Capriles é favorito da oposição em primárias na Venezuela
Pesquisas mostram que candidato está 20 pontos percentuais à frente do rival mais próximo
CARACAS - A oposição na Venezuela vota neste domingo, 12, em uma primária que provavelmente indicará o jovem governador Henrique Capriles como candidato para enfrentar o presidente Hugo Chávez na eleição de outubro.
Derrotados por Chávez desde 1998, os líderes da oposição esperam que a votação em todo o país galvanize suas fileiras, produza um candidato da unidade e os ajude a desalojar Chávez, político socialista, cujo mix de gastos sociais e hostilidade à economia de mercado divide a população do país.
As pesquisas mostram que Capriles, de 39 anos, está 20 pontos percentuais à frente do rival mais próximo, o governador do Estado de Zulia, Pablo Pérez. Capriles, governador do Estado de Miranda, diz se inspirar no modelo do Brasil - onde o governo tem uma preocupação social e mantém boas relações com o mercado.
Um forte comparecimento às urnas no domingo ajudaria a oposição em uma campanha na qual espera retratar Chávez, de 57 anos, como um ideólogo da era da Guerra Fria que perdeu o foco nos problemas do cotidiano, como criminalidade e desemprego.
"Não sou imperialista. Esses debates são de 50 anos atrás, quando eu nem era nascido", afirmou Capriles recentemente a jornalistas, referindo-se ao bordão de Chávez para seus inimigos. "Esse é um debate entre a estagnação e o progresso."
Os cinco pré-candidatos nas primárias percorreram toda a Venezuela, dos Andes à Floresta Amazônica, atacando a política de Chávez e prometendo união para apoiar o vencedor de domingo.
Embora a maioria tenha evitado o confronto com Chávez e preferido ressaltar a preocupação com a criminalidade e com a criação de empregos, a única candidata, Maria Corina Machado, esquentou a campanha com uma torrente de ataques contra o presidente.
Chamada de "burguesinha" pelo presidente, ela saltou para o terceiro lugar nas pesquisas após uma discussão no Congresso durante um discurso de nove horas e meia de Chávez, onde ela associou as nacionalizações dele a roubo.
A votação para a escolha do candidato da coalizão da Unidade Democrática ajudará a virar a página de uma década de disputas entre os oposicionistas.
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