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Captura de líderes do Taleban minou negociações com a ONU, diz Eide

Ex-emissário do órgão para o Afeganistão admitiu conversas secretas e criticou o Paquistão

19 de março de 2010 | 9h 58

OSLO - O ex-emissário da ONU para o Afeganistão, Kai Eide, fez duras críticas ao Paquistão e disse que as recentes capturas de líderes do Taleban fizeram com que os insurgentes paralisassem as negociações secretas que mantinham com o organismo internacional.

Eide diz que há tendência favorável às negociações entre os insurgentes - Reza Shirmohammadi/AP
Reza Shirmohammadi/AP
Eide diz que há tendência favorável às negociações entre os insurgentes

"O efeito dessas prisões certamente foi negativo para as nossas possibilidades de continuar o processo político tão necessário nessa conjuntura", disse Eide. "Os paquistaneses não fizeram o papel que deveriam ter feito. Eles deveriam saber o que aconteceria, e hoje vemos o resultado", completou.

Em uma entrevista nesta semana, o general Athar Abbas, porta-voz do Exército paquistanês, negou que o Paquistão tenha investido contra as lideranças insurgentes para minas as negociações. Os militares dos EUA elogiaram a cooperação com os paquistaneses.

Esta foi também a primeira vez que uma fonte da ONU confirmou a existência de negociações secretas com o Taleban. Segundo Eide, as conversas começaram há um ano e houve reuniões entre enviados da ONU e dos insurgentes pessoalmente em Dubai e outros locais. "O primeiro contato ocorreu no início do ano passado. Houve uma pausa por conta das eleições, mas depois tudo foi retomado há algumas semanas", disse.

Eide afirmou que há vários canais de comunicação com os taleban, incluindo representantes do presidente afegão, Hamid Karzai. Segundo e ex-emissário, o diálogo ainda estava em seu estágio inicial, sendo uma "conversa sobre conversas". Ele alertou, porém, de que levaria semanas ou meses para que uma relação de confiança fosse estabelecida entre as partes.

Lideranças

Segundo Eide, que deu sua primeira entrevista depois de deixar o cargo, alguns dos representantes dos insurgentes eram "líderes, mas também havia gente com a autoridade da Quetta Shura (conselho máximo do Taleban) para engajar o Taleban nas negociações".

Sobre o conhecimento das negociações do líder taleban, Mullah Omar, o ex-emissãrio disse que é muito pouco provável que "qualquer tipo e diálogo esteja acontecendo sem seu consentimento".

As revelações de Eide confirmam que há uma tendência entre os insurgentes favorável às negociações pelo fim da guerra. O norueguês, porém, acredita que ainda há alguns desentendimentos, mas diz que essa "é a única forma de terminar o conflito" e que "esse deve ser um processo afegão", sem interferências externas.