Chávez avalia relações com Colômbia por bases americanas
Presidente venezuelano afirma que acordo de Uribe com EUA representa uma ameaça para o projeto socialista
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, começou a analisar as relações com a Colômbia por considerar que uma maior presença militar norte-americana no país vizinho representa uma ameaça para seu projeto socialista. "As tropas norte-americanas na Colômbia fazem o que querem e são uma ameaça para a Venezuela. Por isso, nós lamentamos esta situação, mas nos vemos obrigados a revisar as relações com a Colômbia", disse Chávez na noite de segunda-feira, 21, em um programa de televisão estatal.
O venezuelano, que afirma liderar uma revolução socialista e anti-imperialista no país petroleiro, acusou o governo colombiano de permitir a instalação de novas bases norte-americanas. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, no entanto, tem assegurado que o acordo contempla somente o uso de bases nacionais. Uribe defende o incremento da cooperação militar com Washington para fortalecer o combate ao narcotráfico e a guerrilhas, uma decisão criticada pelo grupo de países de esquerda que Caracas lidera na região.
Chávez criticou em diversas ocasiões a estreita relação da Colômbia com os Estados Unidos, seus dois principais parceiros comerciais, apesar da posse de Barack Obama este ano ter relaxado as tensões com o país que considera seu inimigo ideológico. Contudo, o líder venezuelano retomou suas críticas à Casa Branca por considerar que os Estados Unidos permitiram o golpe de Estado contra seu aliado hondurenho, o presidente deposto Manuel Zelaya.
"Eles (Estados Unidos) estão abrindo as portas a quem nos ataca permanentemente ... e a quem tem derrotado governos e a quem está apoiando o golpe em Honduras", disse Chávez, que frequentemente acusa Washington de estar por trás do golpe contra seu governo, que o deixou por algumas horas fora do poder em 2002.
Os EUA condenaram o golpe e ameaçaram suspender a ajuda econômica ao empobrecido país centro-americano se o governo de facto se negar a restituir o presidente deposto, como exigem a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
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